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O novo engoliu o velho
Fundada um mês antes do crash de 1929, a BusinessWeek não resiste à crise atual e é vendida para a novata Bloomberg

José Sergio Osse

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montag em sob foto de REUTERS/Bryan Smith/Pool
O novo dono: com a compra da revista, o prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, atinge leitores mais qualificados

Publicada pela primeira vez em setembro de 1929, um mês antes do crash da Bolsa de Nova York que deu início à Grande Depressão, a Business Week é uma das mais prestigiadas revistas semanais de negócios dos Estados Unidos.

Embora tenha sobrevivido às dificuldades pós-1929, a publicação não resistiu à atual crise econômica mundial. Na semana passada, a Business Week, que pertencia ao grupo McGraw Hill, sucumbiu à previsão de prejuízo de US$ 40 milhões para este ano.

Por meros US$ 5 milhões, a Bloomberg LP, empresa do prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, se tornou dona da publicação. A Bloomberg surgiu em 1981, quando a Business Week já tinha meio século de estrada.

O negócio é um símbolo da transformação por que passa o setor. De um lado, uma gigante, a Bloomberg, com forte presença em mídia digital. De outro, a Business Week, ícone da mídia impressa.

Há apenas uma década, a Business Week publicava mais de seis mil páginas anuais de anúncios. No ano 2000, teve lucro operacional de US$ 100 milhões. À época, a marca foi avaliada em US$ 1 bilhão por analistas dos Estados Unidos. Embora nos últimos anos a McGraw Hill tenha investido mais de US$ 20 milhões na publicação, a incapacidade para reverter quedas nas receitas foi crucial para a venda do título.

Em sua versão online, a revista afirmou que Harold McGraw (proprietário do grupo que detinha o título) "claramente não achava que os problemas da Business Week poderiam ser resolvidos". Para especialistas, o declínio da publicação se deve também à concorrência da internet, que fez com que ela perdesse leitores.

Embora a Bloomberg não tenha definido novas estratégias, o que se sabe é que a versão impressa continuará existindo. A revista permitirá à Bloomberg atingir um público diferente dos investidores profissionais que consomem seus produtos por meio do aluguel de terminais de informações de mercado. A BusinessWeek tem grande audiência entre diretores e presidentes de grandes corporações, assim como nos altos escalões do governo dos Estados Unidos.

Enquanto isso, no Brasil...

No Brasil, outro novato incorporou um veterano: a Rede Bom Dia, do empresário João Hawilla, comprou da Globo o jornal Diário de São Paulo, nome atual do centenário Diário Popular. Depois de investir R$ 191 milhões no jornal, comprado de Orestes Quércia em 2001, a Globo decidiu repassar o título para Hawilla. Agora, ele finca sua bandeira na capital paulista depois de fazer sucesso com publicações do interior de São Paulo. Hawilla também é dono da Traffic, empresa de patrocínio esportivo

 

 


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