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Renda fixa
Quem planta, colhe
O título agropecuário LCA seduz cada vez mais investidores. Entenda por quê

Márcio Kroehn

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A nova sensação dos investimentos vem diretamente do campo. Chama-se Letra de Crédito do Agronegócio, ou simplesmente LCA.

Nos últimos 20 meses, quase quadruplicou o volume em estoque desse título registrado na Câmara de Custódia e Liquidação (Cetip), saindo de R$ 2,4 bilhões em janeiro do ano passado para R$ 8,8 bilhões na quinta-feira 15.

Para quem procura alternativas às aplicações de renda fixa tradicionais, como os CDBs e os fundos, a LCA pode ser uma opção interessante de diversificação.

A LCA é um título emitido exclusivamente por uma instituição financeira, com lastro em instrumentos de dívida de produtores agropecuários, como Cédulas de Produto Rural (CPRs), duplicatas e notas promissórias rurais.

Os agricultores ou pecuaristas captam recursos junto aos bancos para se financiar e dão como garantia, além de soja, café, boi ou outra mercadoria, ativos reais e até mesmo seguro de crédito. "A LCA representa um pagamento em dinheiro de um título emitido por uma instituição pública ou privada", detalha Marcos Araújo, sócio da Agrinvest Corretora e Consultoria.

Com o crescimento do crédito rural nos últimos anos, as instituições financeiras têm oferecido as letras aos investidores qualificados, com mais de R$ 300 mil para aplicar. O maior agente do mercado é o Banco do Brasil, que disponibilizou R$ 6,4 bilhões para a safra 2009/10. Não há padronização de volumes ou rendimentos da LCA, que variam conforme o emissor e o lastro.

Mas em tempos de juros em queda, como agora, os melhores papéis são bastante atrativos. Enquanto os CDBs e os fundos de renda fixa oferecem retornos médios inferiores aos 8,75% ao ano da Selic, uma LCA pode render até 100% da taxa básica de juros do Banco Central. Isso é possível porque, para os investidores pessoa física, não há incidência de Imposto de Renda sobre o ganho de capital, nem de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).

O poder de fogo de cada investidor, como acontece nos CDBs e nos fundos, define o rendimento final. "Essa negociação é feita diretamente com a instituição financeira. Mas se o investidor tiver o mesmo retorno no CDB e na LCA, é preferível ficar com a segunda opção pelas vantagens tributárias", reforça o consultor Roberto Machado.

Como a LCA tem por trás títulos com garantias reais, o risco é a avaliação de crédito feita pela instituição financeira. Os bancos, em tese, certificam-se de que o produtor é sério, o armazém escolhido existe e o produto não está vinculado a outro título. "Na prática, o risco é o mesmo do banco emissor", avalia Machado.

 

 


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