A discreta reação da Microsoft Por Ralphe Manzoni Jr.

Considerada uma das empresas mais inovadoras da década de 90, a Microsoft perdeu o charme nos últimos anos. Apesar de ser a maior companhia de software do planeta, com um faturamento superior a US$ 60 bilhões, foi eclipsada pelo Google, uma jovem "startup" do Vale do Silício, nos Estados Unidos, com pouco mais de 11 anos, criada por dois garotos da Universidade de Stanford e que está revolucionando a internet. Ao longo dos últimos tempos não faltaram notícias que justificaram a percepção no mercado de tecnologia de que a Microsoft era uma companhia que perdera a corrida da inovação. Os sintomas de decadência eram evidentes: novo modelo de computação que tira importância de aplicações instaladas nos computadores, dificuldade em ganhar participação de mercado no segmento de buscas e clientes que relutavam em adotar o seu sistema operacional Windows Vista. Este software chegou a ser considerado pela própria empresa o seu produto "menos bom". O Google, dos garotos Larry Page e Sergey Brin, atacava de todos os lados. No ano passado, surpreendeu o mercado ao lançar o Chrome, um navegador de internet para concorrer com o Internet Explorer, da Microsoft. Em 2009, foi além e anunciou um sistema operacional baseado em código aberto. Não poderia haver declaração mais aberta de guerra.
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A empresa de Steve Ballmer perdeu seu brilho com o surgimento do Google. Agora, sem alarde, começa a recuperar o espaço perdido. Ela terá sucesso? |
Mas, sem muito alarde, Steve Ballmer, o messiânico e espalhafatoso executivo que comanda a Microsoft, começou a mudar esta história. O lançamento nesta semana de seu novo sistema operacional, o Windows 7, é um sinal de que as coisas estão diferentes em Redmond, cidade onde está localizado o quartel-general da empresa nos Estados Unidos. Ao contrário do antecessor, o Windows 7 está sendo bem avaliado por milhões de usuários que baixaram cópias de testes pela internet. Nas empresas, apesar da cautela, há vários indicativos de que a supremacia do antigo Windows XP (lançado em 2001) pode acabar nos próximos 18 meses.
Na área de internet, vital para o futuro da companhia, o Bing, novo mecanismo de busca lançado em junho pela Microsoft com uma campanha publicitária estimada em US$ 100 milhões, começou a ganhar participação de mercado nos Estados Unidos. Em setembro, ele representava 9,4% das buscas realizadas pelos norte-americanos, segundo dados da consultoria comScore. Antes da estreia, o Live Search tinha pouco mais de 8%. Mesmo assim, continua muito, mas muito longe do Google (que tem 64,9%). A
Microsoft conseguiu também chegar ao capítulo final da novela mexicana com o Yahoo! Dessa forma, o mecanismo de busca Bing será usado por todos os sites do Yahoo! a partir de 2010. Juntas, as duas empresas têm por volta de 30% do mercado de buscas nos EUA.
Até na área de tocadores de música digital, na qual a Apple lidera com o iPod, a Microsoft está se saindo bem. A primeira versão do Zune era desajeitada e foi um fracasso. A nova, o Zune HD, lançado apenas nos EUA, recebeu elogios de um dos mais influentes críticos de tecnologia, o jornalista David Pogue, do New York Times. "Se o Zune tivesse sido lançado em um universo paralelo, em que não existisse iPod, ele seria recebido como um Deus. O aparelho é tão divertido e satisfatório quanto o do concorrente", disse Pogue, conhecido no meio por ser fã dos produtos da Apple. Para aqueles que achavam que a Microsoft estava derrotada, vale lembrar o episódio que ficou conhecido como a guerra dos browsers. Na década de 90, Bill Gates torceu o nariz para a internet e viu uma pequena empresa chamada Netscape ganhar força e dominar o segmento de navegadores web, vital para ganhar a percepção dos consumidores. Para reverter a situação, a companhia lançou versões do Windows com o seu navegador Internet Explorer. A tática deu certo. É verdade também que esta política custou um longo e doloroso processo antitruste nos Estados Unidos. Quando foi condenada, a Netscape já tinha virado pó. Pressionada e desacreditada, a Microsoft começa discretamente a reagir.
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