Marta fenomenal Contratada pelo Santos, maior jogadora de futebol do mundo atrai patrocinadores e leva mais público aos estádios - exatamente como fez Ronaldo no Corinthians
ROSENILDO GOMES FERREIRA

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| O futuro da craque: o contrato de Marta acaba em dezembro, mas o sucesso do time feminino pode mantê-la no Brasil em 2010 |
Marta Vieira da Silva, ou simplesmente Marta, é um fenômeno do futebol. Ela foi eleita pela Fifa melhor jogadora do mundo em 2006, 2007 e 2008 - série consecutiva jamais alcançada por nenhum jogador, nem mesmo por Ronaldo -, vice-campeã olímpica em 2004 e 2008, bicampeã dos Jogos Pan-Americanos (2003 e 2007) e única mulher a deixar os pés na calçada da fama do Maracanã. Tudo isso, diga-se de passagem, com apenas 23 anos de idade. Marta agora deve se transformar também em um sucesso de marketing. Pelo menos é isso o que deseja o Santos, que tenta fazer da jogadora o mesmo que o Corinthians realizou com Ronaldo (apelidado, aliás, de Fenômeno). Depois de contratar o craque, o Corinthians viu suas receitas de publicidade duplicarem, os estádios lotarem e o nome do time aparecer com muito mais destaque na televisão, nos jornais e nas revistas. "Antes de Marta, o time feminino era um patinho feito", diz José Geraldo Barbosa, diretor de marketing do Santos. "Hoje o patinho virou cisne. Temos até uma lista de empresas à espera da oportunidade de vincular seus nomes ao clube."
Marta jogava nos Estados Unidos, país de tradição no futebol feminino, e foi contratada pelo Santos para disputar a Taça Libertadores da América, que reúne times de todo o continente sul-americano, e a Copa do Brasil. A equipe conta ainda com Cristiane e Érica, que também brilham na Seleção Brasileira. A chegada das craques trouxe resultados imediatos. Até dezembro, quando acaba o contrato das jogadoras, o Santos deve faturar R$ 2,4 milhões apenas com patrocínios de camisa (além da Copagaz, o futebol feminino recebe apoio do plano de saúde da Santa Casa de Santos e da Universidade Santa Cecília). Nas cinco partidas que o time feminino realizou até agora, a média de renda foi de R$ 260 mil, valor 6% superior à arrecadação do time masculino no campeonato brasileiro (leia quadro). O interessante é que as mulheres vêm atraindo um público diferente. Em vez de torcedores organizados que vão ao estádio para brigar, nos jogos das meninas as arquibancadas estão repletas de famílias e crianças. O retorno tem sido tão positivo que o Santos considera a possibilidade de manter as estrelas no próximo ano. Uma das propostas é permitir que elas joguem seis meses nos Estados Unidos e o restante por aqui. "Não existe nada certo, mas seria uma opção interessante para a minha carreira", diz a craque Marta.
A estratégia do Santos, repete, em certa medida, o que foi feito pelo Cosmos, de Nova York, na década de 1970. Para popularizar a modalidade nos Estados Unidos, o clube contratou astros globais como Pelé e Beckenbauer. "Há muito tempo, o futebol deixou de ser apenas um esporte e passou a ser um entretenimento", afirma Alexandre Luzzi Las Casas, doutor em administração mercadológica pela Fundação Getulio Vargas e professor de marketing da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). "Por isso, necessita de astros para atrair a atenção do público e de patrocinadores." A novidade é que antes apenas os homens eram capazes de levar multidões aos estádios. Agora é a vez de as mulheres brilharem no campo do futebol e dos negócios.
A FORÇA DAS MULHERES
O impacto da contratação da craque Marta nas contas do Santos |
| Em apenas um mês foram vendidas 3,5 mil camisas com o nome da atacante: um recorde para a modalidade |
| O Santos recebeu nos últimos dois meses inúmeras propostas para jogos de exibição no Brasil e no Exterior. O cachê é de R$ 50 mil |
| R$ 260 mil é a média de renda nos jogos realizados até agora pela equipe feminina. O valor é 6% superior à arrecadação do time masculino no campeonato brasileiro |
| Com média de 10 mil pagantes por jogo, as meninas da Vila Belmiro superam em 24% a média de público nos jogos dos marmanjos no campeonato brasileiro |
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