Dinheiro em ação por Ana Clara Costa e Márcio Kroehn
Papéis avulsos
A Olimpíada e a bolsa
Estudos mostram que o Produto Interno Bruto (PIB) do país-sede dos Jogos Olímpicos aumenta um ponto percentual no ano da competição. Até 2016, quando o Rio de Janeiro será o anfitrião, muitas empresas brasileiras irão faturar na preparação do evento.
É natural que os balanços melhorem e alguns setores na bolsa se sobressaiam. Não existem análises confiáveis sobre o potencial do Ibovespa em prazo tão longo, mas já é possível presumir quem serão os vitoriosos. Turismo e construção civil são os mais óbvios. As propagandas internacionais vão atrair visitantes e as reformas nos aeroportos serão benéficas para as construtoras e as aéreas, como a Gol e a Tam.
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Voo olímpico: Constantino Jr., da Gol (à esq.), e David Barioni, da TAM, podem ver os negócios decolar
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"As melhorias na estrutura aeroportuária vão beneficiar as duas principais empresas do setor", diz Márcio Macedo, da Humaitá Investimentos. "As ações dessas companhias caíram muito e ainda não se recuperaram", acrescenta Rodrigo Menon, da Beta Advisors.
Entretanto, o investidor não pode se prender a esse grande evento e esquecer do resto do mundo. A siderúrgica Gerdau vai fornecer aço para todas as grandes obras. Porém, metade de seu faturamento vem dos EUA.
Se as exportações falharem, não há Olimpíada que segure a queda da ação. "É preciso olhar o papel como um todo e ter cuidado com o auê dos Jogos Olímpicos", alerta Menon. Para não refugar na hora H, a dica é buscar as empresas que tenham seu principal negócio no Brasil.
Setor elétrico
Carga total
Após cinco meses de queda, o consumo de energia elétrica voltou a crescer no País. O aumento foi de 1,1% em setembro, em relação ao mesmo período de 2008. Na comparação com agosto, a alta é de 3,8%. A rápida retomada da indústria é o principal fator de influência nesse desempenho.
Entre as elétricas favorecidas, a Transmissão Paulista é um dos destaques. Segundo a Gradual Corretora, a companhia está entre as que atuam com margens mais elevadas e menores riscos, especialmente no segmento de distribuição de energia. A ação preferencial acumula alta de 34% no ano e, para a Gradual, o preço-alvo é de R$ 59 para o final deste ano.
DESTAQUE NO PREGÃO
Podem me chamar de Hypercompras
Foram três grandes aquisições significativas em apenas duas semanas feitas pela Hypermarcas, presidida por Cláudio Bergamo. Primeiro, a Pom Pom, fabricante de fraldas descartáveis e absorventes. Na quarta-feira 7, a varejista fechou mais duas operações: a compra da Jontex, da Johnson & Johnson, e da Indústria Nacional de Artefatos de Látex (Inal), que comercializa as marcas Olla, Lovetex e Microtex.
Um salto e tanto no segmento de preservativos, que tornou a Hypermarcas líder absoluta de mercado. As três negociações somaram algo em torno de US$ 400 milhões. As ações, no entanto, não acompanharam a empolgação da empresa nas compras. Entre o anúncio de aquisição da Pom Pom e o das empresas de preservativos, o preço do papel da Hypermarcas oscilou apenas de R$ 35 para R$ 36. Na semana, a alta foi de 2,13% e no ano, de 236%.
palavra de analista
A sequência de compras, apesar de rápida, não surpreendeu. Segundo o time de analistas da Itaú Corretora, as compras feitas pela Hypermarcas já estavam precificadas no valor da ação. Logo após o IPO, a empresa sinalizou que utilizaria os R$ 2 bilhões captados para comprar novas empresas, lembram os analistas da corretora.
O mercado aguarda ainda novas aquisições, principalmente no setor de farmácia, higiene e beleza. Para a Itaú Corretora, o segmento de preservativos terá muitas sinergias com as demais empresas da Hypermarcas, sobretudo na distribuição, já que muitos dos pontos de venda são os mesmos |
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