GESTÃO
Como tudo começou Os erros, os acertos e as lições de empreendedores que superaram a fase inicial de dificuldades para criar o seu próprio negócio

Começar um negócio próprio é uma das tarefas mais complexas que profissionais de qualquer setor de atuação podem enfrentar. Por mais que o empreendedor tenha boa formação, ideias criativas, dinheiro para ser investido e disponibilidade para trabalhar como nunca na vida, nada garante que o projeto será bem-sucedido. Alguns fatores simplesmente não podem ser controlados - como o cenário econômico favorável ou não - e outros dependem do planejamento adequado, como é o caso dos clientes que se deseja alcançar. O primeiro passo, enfim, é sempre o mais difícil. Os seguintes também são complicados. Uma pesquisa recente realizada pelo Sebrae demonstrou que 27% das empresas paulistas fecham em seu primeiro ano de atividade.
As trajetórias que são apresentadas a seguir trazem experiências de empreendedores que superaram a fase mais delicada - a do começo de tudo - e que criaram empresas que cresceram de forma surpreendentemente veloz. A seguir, os erros e acertos que transformam o sonho do negócio próprio numa realidade de sucesso.
| "Comecei adminstrando o Giraffas como se fosse uma empresa de finanças e não de alimentos. Foi só quando percebi o erro que pude fazer o negócio deslanchar" |
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Miccieli, do Giraffas
Número de funcionários: 3,3 mil Fundação: 1981 Faturamento: R$ 450 milhões |
Giraffas
Foi depois de vender um apartamento em uma das áreas mais tradicionais de Brasília que Claudio Miccieli embarcou em um projeto que nunca sonhara. Aos 30 anos, formado em engenharia da computação, ele aceitou o pedido de dois amigos que ainda cursavam a faculdade e se aventuravam no ramo do fastfood com uma pequena rede de lanchonetes em Brasília, o Giraffas. Com o dinheiro do imóvel, capitalizou a empresa e abriu uma pequena fábrica onde eram produzidos os pães, hambúrgueres e sorvetes servidos ao público. Hoje, aos 51 anos, Miccieli controla, ao lado de seis sócios, uma rede de franquias que tem 300 lojas espalhadas pelo Brasil e que deve faturar R$ 450 milhões em 2009. "Ao olhar para trás, vejo que não administrávamos uma empresa de alimentos, mas de finanças", brinca.
Até o Plano Real, os ganhos do Giraffas vinham dos acertos feitos com fornecedores. O dinheiro que entrava no caixa ia direto para as aplicações no banco durante o dia e, à noite, ainda era reinvestido no overnight. "Com o fim da inflação, a grande fonte de ganho secou", explica Miccieli. "Descobrimos que éramos ineficientes no negócio da alimentação." Foi a partir daí que a empresa mudou. As lojas próprias foram vendidas aos franqueados e a estrutura modesta deu lugar a uma eficiente cadeia de logística, hoje também responsável pelo atendimento até de concorrentes como Burger King e China in Box.
Nesse modelo, o Giraffas conseguiu se estabelecer em São Paulo, ganhando terreno a um ritmo de 15% ao ano. Na capital paulista, são 99 lojas, 20 a mais do que em Brasília, atual sede da empresa. O próximo passo é a internacionalização. Amparado por consultores da Fundação Dom Cabral, o Giraffas prepara o desembarque em Miami, nos Estados Unidos, para o primeiro semestre do ano que vem. Sua fórmula de sucesso? "Defina seu foco", diz Miccieli. "A marca é mais importante do que uma loja. Administre-a bem e a empresa vai prosperar."
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