CARREIRA
A hora de mudar Qual o melhor momento para trocar um emprego pela carreira solo? Conheça a opinião de especialistas e empreendedores que já tomaram essa decisão Por Jennifer Gonzales
Por Jennifer Gonzales

Qual é o melhor momento de deixar o emprego e abrir sua própria empresa? Nunca se sabe exatamente a hora certa, mas há alguns fatores que contribuem para que a decisão seja acertada. O mais importante deles é fazer um estudo aprofundado da área em que se pretende atuar, diz Renato Fonseca, consultor do Sebrae. "Isso precede a resolução. É essencial fazer cursos, conversar com empresários, mesmo de outros setores, falar com fornecedores e potenciais clientes." O tempo de aprendizado - que pode durar meses ou mais - deve ser usado também para desenvolver o projeto da empresa, o que ajudaria a reduzir os riscos. A exgerente de investimentos Gica Mesiara fez a lição de casa. Ela tinha um bom salário no banco em que trabalhava, mas sentia que "o ponto final não era aquele". Em 1998, inscreveu-se em um curso de paisagismo. "Durante dois anos e meio conciliei as duas atividades e testei o potencial do mercado com olhar de analista financeira. Percebi que o segmento iria crescer", diz Gica. A jornada era dura: ela desenhava projetos de jardins e varandas nos fins de semana, feriados e na hora do almoço em dias úteis.
Um obstáculo acabou lhe dando a ideia que viraria o foco do negócio. "A maioria das pessoas mora em apartamentos e as calçadas são diminutas. Pensei então: se só tem parede nesta cidade é nela que vou plantar." Idealizou assim jardins verticais com sistema de rega automático. "Quando cheguei ao produto certo, em 2002, patenteei a técnica e abri a Quadro Vivo. Investi tudo que ganhei em 11 anos no banco, incluindo meu apartamento", diz Gica, que emprega 30 funcionários. Segundo Rogério Chér, vice-presidente da DBM Brasil, a hora ideal para fazer a virada é quando o profissional vê que sua ascensão na empresa não trará uma diferença significativa de realizações. Os sócios da Lumis - André Matos, Gilene Oliveira e o indiano Kishnan Nedungadi - não esperaram muito para lançar-se em empreendimento próprio. Em 2000, os três eram gerentes da Microsoft, em Redmond (EUA). "A indústria de software no Brasil começava a se fortalecer e o custo dos profissionais de tecnologia nos EUA era quatro vezes maior", diz Matos. Mudaram-se em 2001 para o Rio de Janeiro, onde a fornecedora de plataformas de portais passou três anos em uma incubadora da PUC. Hoje a Lumis atende mais de 70 clientes, como Magazine Luiza, Oi e Coca-Cola.
Muitos empreendedores decidem pela carreira solo no início de sua trajetória profissional. Halan Pauzer, dono da produtora de vídeo Studium PA, de Campinas, estabeleceu duas alternativas, caso deixasse o emprego numa livraria, aos 21 anos. "Tinha sido aprovado em um concurso e fiquei entre trabalhar em um banco ou abrir um negócio. Optei pelo segundo, pois tinha muita vontade de empreender", diz Pauzer. Na época, em 1997, ele abriu uma venda de suprimentos de informática para empresas no seu quarto. Reinvestindo tudo que ganhava, passou a alugar computadores e, mais tarde, por meio de um financiamento, comprou projetores multimídia para locação. Em 2003 surgiu a oportunidade de alugar um pequeno prédio com estúdios e o jovem empresário arriscou abrir uma produtora e fazer vídeos institucionais. "O segredo é observar as necessidades do teu público", ensina. "Negócios e produtos vão morrendo conforme a tecnologia muda."
| Antes de decidir pelo investimento em um negócio próprio, o profissional deve estudar profundamente o mercado em que pretende atuar |
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| Matos, da Lumis: ele e dois amigos deixaram os cargos de gerentes da Microsoft para fundar uma empresa de software |
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