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O nó da Intelbras
Maior fabricante de telefones do Brasil admite que errou ao investir em computadores e agora quer voltar às origens

ROSENILDO GOMES FERREIRA

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EM MEADOS DE 2005, ALTAIR SILVESTRI, PRESIDENTE da catarinense Intelbras, reuniu o alto escalão da companhia para dar os contornos finais em um ambicioso plano de diversificação. Na época, seu faturamento dependia fortemente dos telefones de mesa, um equipamento antiquado cujo futuro era colocado em dúvida pelo mercado. A meta era crescer na onda da convergência de voz, dados e imagem, apostando em produtos mais modernos, como celulares, câmaras para sistemas de segurança e computadores. Apesar da política agressiva de preço, que fazia com que os produtos tivessem valores inferiores aos do mercado, a estratégia não funcionou. Resultado: em três anos de atuação na área de informática, a Intelbras abocanhou pouco mais de 3% dos segmentos de PCs e notebooks. Em 2008, seu balanço fechou perto do vermelho (a empresa não revela os números), o pior resultado em dez anos, segundo admite o próprio Silvestri. Isso colocou a companhia diante de um dilema: insistir na diversificação ou voltar às origens, concentrando forças na fabricação de tele-fones de mesa. Silvestri diz que optou por um caminho intermediá-rio. " Vamos continuar investindo no segmento de informática, mas sem a preocupação de nos tornar-mos uma das maiores do setor", diz. "Hoje, o importante é tornar a área mais lucrativa.
AG. RBS
Foco em telefonia: Silvestri, presidente, dispõe de R$ 70 milhões para incrementar o portfólio de produtos

Desde julho, a Intelbras vem encolhendo a produção de PCs e ampliando a participação de notebooks de maior valor agregado no mix oferecido aos lojistas. Com isso, a venda de PCs caiu 40%, enquanto a comercialização de notebooks avançou na proporção inversa (alta de 40%). " Trata-se de uma típica manobra defensiva, de quem precisa fazer ajustes", afirma Jose martim, analista da consultoria IDC. Outra pretensão da Intelbras é ampliar a carteira de clientes corporativos. Hoje, eles representam apenas 15% das vendas da divisão de informática e a ideia é dobrar esse patamar. Com isso, ela espera reduzir a dependência do varejo, em que já descobriu que não possui fôlego para fisgar clientes de concorrentes cujo porte financeiro é pelo menos o dobro do seu. "A Intelbras foi com muita sede ao pote, acreditando que poderia encarar qualquer um, e acabou sofrendo as consequências", diz um concorrente que pediu para não ser identificado.

Silvestri, como era de se esperar, discorda. "O setor de informática como um todo foi afetado pela crise econômica global", justifica. É fato. Também é verdade que a direção da intelbras tomou inúmeras decisões equivocadas. Abandonou as operações de hedge cambial e acumulou um estoque suficiente para quatro meses de produção. Resultado: a disparada do dólar e a falta de liquidez abalaram a saúde financeira da empresa.

O executivo alega que esses erros pertencem ao passado. Além de redefinir seu tamanho no segmento de computadores, a Intelbras também está fortalecendo a divisão de produtos de segurança. Nesse nicho, as estrelas são as centrais de comunicação para condomínios e os sistemas de monitoramento e segurança. A área vai receber investimentos de R$ 70 milhões em 2009, que serão destinados principalmente para a ampliação da linha de produtos. Parte da verba foi usada para instalar a fábrica de câmeras de segurança em Manaus (AM). A unidade tem capacidade para produzir 400 mil unidades por ano. "O setor de segurança é composto de pequenos jogadores e a expectativa é que ele entre em uma fase de consolidação", aposta Silvestri. a Intelbras inclusive já fez a sua parte, com a aquisição de duas companhias de menor porte.

 


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