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Carne sustentável
Acordo histórico une ecologistas, redes de varejo e ambientalistas pelo desmatamento zero na Amazônia

ROSENILDO GOMES FERREIRA

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anna carolina negri/valor
José Batista Jr. (do jbs, à esq.), Marcos Molina (do marfrig) e Tiarajú Pires (da abras): em seis meses, eles vão elaborar um cadastro de fazendas comprometidas com a causa ambiental

A foto que ilustra esta reportagem retrata um momento histórico na trajetória da pecuária brasileira. A imagem, captada na segundafeira 5, em São Paulo, mostra o momento em que diretores do JBS, Marfrig e Minerva, os maiores frigoríficos brasileiros, e representantes da Associação Brasileira dos Supermercados (Abras) e do Greenpeace assinaram o pacto pelo "desmatamento zero" na Amazônia.

Um compromisso que, caso seja cumprido integralmente, deverá colocar não só a pecuária como o próprio País em um novo patamar global em matéria de sustentabilidade. O acordo prevê por exemplo que, em um prazo de seis meses, o JBSFriboi, o Marfrig e o Minerva elaborem um cadastro dos fornecedores de boi para abate. Com isso, os frigoríficos poderão garantir que a matéria-prima provém de fazendas comprometidas com as causas ambientais e sociais.

"A pressão dos consumidores daqui e do Exterior ajudaram a apressar a assinatura do pacto", afirma Márcio Astrini, do Greenpeace. "Nenhuma empresa quer ter seu nome vinculado ao desmatamento." A criação de gado é apontada como a principal responsável pelo desmatamento da Amazônia. De acordo com um relatório elaborado pela ONG, 55% das emissões de gases que causam o efeito estufa têm origem na devastação de florestas.

A pecuária responde por 80% dessa conta. O acordo foi assinado em um momento em que o setor se lança em um processo de consolidação internacional. Recentemente, a goiana JBS-Friboi assumiu o controle da paulista Bertin e da americana Pilgrim's Pride. Como resultado, se tornou o maior frigorífico do mundo. Pratini de Moraes, presidente do conselho estratégico do JBS-Friboi, reconhece o caráter histórico da iniciativa.

Argumenta, no entanto, que desde 2000 a empresa vem adotando um arsenal de medidas sustentáveis. Mas Pratini teme que as companhias que subscreveram o pacto sejam vítimas de concorrência desleal. "O governo precisa intensificar o combate aos abates clandestinos e as redes varejistas têm de banir quem não está comprometido com a sustentabilidade", defende Moraes. A natureza agradece

A pecuária responde por 80% da taxa brasileira de emissão dos gases causadores do chamado efeito estufa

 

 


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