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Dinheiro em ação
POR ANA CLARA COSTA E MÁRCIO KROEHN

PAPÉIS AVULSOS

Todos querem o dinheiro dos velhinhos

"Ainda há muitas formas de se ganhar com a renda fixa"

JOSÉ DE SOUZA MENDONÇA,
presidente da Abrapp

As velhinhas americanas são conhecidas pela ousadia de seus investimentos. É esse mesmo cenário que está sendo pintado no Brasil com a flexibilidade nas regras da renda variável para os fundos de pensão. O otimismo é tão grande que algumas contas já estão na calculadora. Seriam R$ 90 bilhões em dinheiro novo para fundos de investimento e compra direta de ações após o aumento de 50% para 70% da exposição em ativos de maior risco dada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Quanto dessa bolada poderia pular imediatamente? É difícil responder, mas José de Souza Mendonça, presidente da Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (Abrapp), joga um balde de água fria: "Ainda há muitas formas de se ganhar com a renda fixa." Atualmente, apenas 5,1% do patrimônio de R$ 458 bilhões dos fundos fechados de pensão estão aplicados fora dos imóveis e dos títulos públicos. Até o ano passado, fazia sentido encher a carteira de títulos da dívida do governo brasileiro, que pagavam bem mais que a meta obrigatória a ser cumprida, conhecida como atuarial, de INPC mais 6% ao ano. Para se ter uma ideia, de 1995 a 2007, o rendimento acumulado foi de 1.225%, contra uma necessidade de 220%. E pelo menos R$ 150 bilhões estão amarrados a rentáveis títulos do governo até 2014. Que os velhinhos brasileiros vão ficar mais aventureiras nos seus investimentos, não há dúvida. Mas vai ser devagarzinho, devagarzinho. Afinal, se todo esse recurso prometido nos últimos dias chegar à BM&FBovespa, os 200 mil pontos do Ibovespa superarão todas as previsões.


DESTAQUE NO PREGÃO

A captação bilionária da Petrobras

José Sérgio Gabrielli foi categórico: a capitalização da Petrobras prevista para 2010 originará a maior subscrição de capital de uma empresa no mundo. O processo de subscrição acionária pilotado pela União permitirá à companhia uma capitalização de até US$ 90 bilhões. Se concretizada, essa entrada maciça de dinheiro para viabilizar o pré-sal virá de duas fontes. O governo entrará com a subscrição de 33% do capital social da empresa - em torno de US$ 30 bilhões -, mas pagará esse valor em barris de petróleo. E os acionistas minoritários (67%) terão o direito de aumentar sua parcela acionária na mesma proporção, o que garantiria à empresa um montante em torno de US$ 60 bilhões. Resta saber até que ponto a captação colossal pode beneficiar ou prejudicar o mercado financeiro do Brasil.

PALAVRA DE ANALISTA

Aumentar a participação em Petrobras é quase uma questão filosófica. Para se chegar a uma resposta, leva-se em conta a confiança no petróleo como combustível, na Petrobras como empresa e no governo como respaldo para a operação bilionária. Para Luiz Otávio Broad, da Ágorainvest, mesmo se não optar pela subscrição, o acionista fará um bom negócio. "Se ele não quiser aumentar a participação, terá em mãos papéis de uma empresa que vai crescer muito mais. Ele sai ganhando em qualquer cenário", diz ele. As ações PN acumulam 48,7% de alta em 2009 e ainda não se recuperaram do tombo de 2008.


SANTANDER
A grande estreia

Quem não se decidiu ainda pela compra das ações no IPO do Santander Brasil, terá até terça-feira 5 para fazê-lo. A partir das 10 horas do dia 6, estará no pregão o lote inicial da oferta: 525 milhões de units (55 ações ordinárias e 50 ações preferenciais). O preço de cada unit é estimado entre R$ 22 e R$ 25. Assim, apenas o lote inicial pode movimentar até R$ 13,12 bilhões. Há a opção de um lote suplementar em caso de excesso de demanda, que pode fazer a oferta chegar a R$ 15,6 bilhões. Durante todo o período de emissão, Fabio Barbosa, presidente do banco, não comentou a oferta.



QUEM VEM LÁ
Bolsa de tijolo

A Gafisa vai voltar à bolsa. Na semana passada, a construtora oficializou sua oferta de ações. Em vez de emitir novos papéis, a Gafisa colocará em circulação 2,8 milhões de ações que haviam sido compradas durante a crise financeira. Os papéis do setor de construção se aproximaram do pó e a empresa comandada por Wilson Amaral utilizou o dinheiro em caixa para comprar as próprias ações a preço de entulho, que chegou a bater nos R$ 6,60. Elas foram guardadas na tesouraria à espera da oportunidade e de um preço mais justo, para os olhos da companhia. Na quinta-feira 1o, o papel fechou a R$ 25,50. Resta saber se o investidor vai ajudar a construir essa história. De todas essas ofertas na fila na BM&FBovespa, sete são ligadas ao setor imobiliário.

FIQUE DE OLHO: O Marfrig, que vai fazer em breve uma nova emissão de ações, desmentiu na quinta-feira 1o, o interesse na aquisição do frigorífico Independência.

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