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Um bilionário para vice de Marina
O que significa a entrada de Guilherme Leal, sócio da Natura e um dos homens mais ricos do País, no jogo eleitoral

Hugo Cilo

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Clayton de Souza/
Agora, juntos: a Natura, de Leal, tem quase 800 mil consultoras de vendas. Se parte delas fizer campanha...

A história conta que brasileiros bilionários exercem um papel fundamental nos bastidores da política - financiam partidos, apoiam candidatos e dão suporte às corridas eleitorais. É cena rara vê-los em palanques. Na quartafeira 30, no entanto, o presidente da Natura, Guilherme Leal, quebrou essa tradição. Fundador da maior empresa de cosméticos do País e dono de uma fortuna estimada em R$ 2,2 bilhões, ele se filiou ao PV e deve se lançar como vice da ex-ministra Marina Silva à Presidência em 2010.

Se isso acontecer, será o empresário mais rico do País a entrar na política. Guilherme Leal, um paulista de 59 anos, formado em administração de empresas e dono de 25% da Natura, é o homem número 601 no ranking dos mais afortunados do planeta. Embora tenha um padrão financeiro bem diferente do de Marina Silva - uma ex-seringueira do Acre, ligada a movimentos ecológicos e braço direito do ambientalista assassinado Chico Mendes nos anos 70 -, Leal tem ligações ideológicas com a bandeira de Marina.

O principal ponto em comum é a sustentabilidade. Além de presidir o conselho de administração da Natura, Leal é presidente do conselho deliberativo do Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio), membro do Instituto Ethos e conselheiro do WWF (Fundo Mundial da Vida Selvagem). "Ele está perfeitamente alinhado com as nossas diretrizes", disse o presidente do PV, José Penna. Mais do que dar um viés empresarial ao PV, a filiação de Leal amplia os horizontes de Marina nas urnas.

A Natura possui 798,7 mil consultoras de vendas em todo o País, que diariamente estão em contato com mais de sete milhões de clientes - mulheres, na maioria. Mesmo indiretamente, é um exército que pode fazer a diferença. Junto com o presidente da Natura, outros empresários de peso se filiaram ao PV. Entre eles Roberto Klabin, diretor da Klabin, e Ricardo Young, presidente do Instituto Ethos.

O presidente do Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo, José Balestrassi, e Ana Toni, diretora da Fundação Ford, também entraram para os "verdes". A estratégia do PV para as próximas eleições remete à manobra do PT, em 2002. O partido acertou em cheio na escolha do vice para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O mineiro José Alencar, um dos maiores empresários do País, serviu como uma luva para os planos políticos do PT - ele aproximou o partido do meio empresarial, deu credibilidade à chapa e atraiu recursos. Uma tacada certeira. Depois de três tentativas frustradas, Lula chegou ao poder.

 

 


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