Como vender esse produto Apesar da popularidade de Lula, a candidata ainda tem um alto índice de rejeição e impõe um desafio aos marqueteiros: o de subir nas pesquisas para não ser retirada da prateleira eleitoral
Tom Cardoso e Luciana de Oliveira

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Caras e bocas: o desafio da equipe de João Santana será transfornar a "durona" e "irascível" ministra da Casa Civil na "Dilminha Paz e Amor"
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Imagine dilma rousseff como um produto. Um sabão em pó, por exemplo. Em qualquer supermercado, ela, que tem o apoio dos maiores partidos políticos do País, PMDB e PT, estaria exposta no corredor de maior movimento, na melhor gôndola. Diante das caixas, estaria lá também um grande promotor de vendas - o presidente Lula.
O único problema é que, apesar do esforço promocional, sua participação de mercado ainda é pequena. Oscila entre 11% e 15% nas pesquisas, o que a distancia do principal concorrente: o tucano José Serra. E há sondagens que a colocam até em quarto lugar, atrás de Ciro Gomes e Heloísa Helena, sendo quase ultrapassada por Marina Silva. Se Dilma fosse mesmo comparável a um produto qualquer, já estaria correndo o sério risco de ser retirada da prateleira.
Vender um candidato ao eleitor, evidentemente, não é o mesmo que oferecer sabão a uma dona de casa. Apesar disso, há um paralelo entre as duas atividades. E os responsáveis por embalar o produto, que serão chefiados pelo marqueteiro João Santana, já começam a fazer ajustes no plano de voo. De um lado, buscam eliminar traços que assustam os clientes.
Entre eles, o fato de Dilma ser considerada durona, irascível e até arrogante - seus aliados a orientam a seguir a cartilha "paz e amor" que ajudou a eleger Lula em 2002. Por outro lado, os publicitários do PT querem também vender a candidata como uma novidade, assim como ocorreu com Barack Obama nos Estados Unidos.
E para isso, a carta na manga se chama Ben Self, que coordenou a campanha online de Obama e o ajudou a arrecadar US$ 500 milhões pela web, criando uma rede de apoio através de sites, chats, redes sociais e até vídeos no YouTube. Embora o PT negue, Self foi contratado. Mas a questão é que, tanto no mercado como na urna, o produto deve ser coerente com a mensagem. Obama representava o novo. Dilma, quando foi apresentada como "mãe do PAC", mais parecia um personagem saído dos anos 70, quando o Brasil era o país das empreiteiras.
Mais recentemente, quando o governo quis colar na sua candidatura a imagem de "dona do pré-sal", seu discurso soou démodé. Trouxe reminiscências da campanha "o petróleo é nosso", dos anos 50. Até agora, quem mais se movimenta na internet é a candidata Marina Silva - que, de certa forma, carrega uma bandeira, a da ecologia, mais afinada com a juventude.
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