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Por que eles gritam tanto?
Cercados por manifestantes furiosos, banqueiros e representantes do FMI tinham uma boa notícia na Turquia: o mundo está saindo da crise - e o Brasil é um dos destaques

Por Milton Gamez, enviado especial a Istambul

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Fora FMI: na semana em que o Fundo apontou a recuperação da atividade econômca, Istambul foi tomada por protestos

Dois mil e setecentos anos de história banham as margens do estreito de Bósforo, que separa a Europa da Ásia. Unindo os dois continentes está Istambul, a cidade escolhida este ano pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) e pelo Banco Mundial (BIRD) para abrigar sua tradicional reunião conjunta de outono. Acostumadas durante séculos a invasões de outros povos do Ocidente e do Oriente, as muralhas da antiga Constantinopla abrigaram na semana passada as delegações de 186 países-membros. Enquanto os tambores e os gritos dos ativistas antiglobalização agitavam a Praça Taksim na terça 29, ministros da Fazenda, presidentes de bancos centrais, banqueiros, investidores, acadêmicos e jornalistas chegavam de todos os lados do planeta para debater estratégias de saída da recessão global. Mais uma vez em sua longa existência, Istambul, excapital dos impérios romano, bizantino e otomano, é palco de uma mudança significativa de poder econômico e político. Pela primeira vez, o Brasil é peça central nessa guerra de forças, que une e ao mesmo tempo separa países desenvolvidos, de um lado, e emergentes, de outro.

Passado o primeiro aniversário da crise que começou nos Estados Unidos, com a quebra do banco de investimento Lehman Brothers, o clima está bem mais ameno, com espaço para um otimismo cauteloso. Já se vislumbra o fim da recessão no ano que vem e a recuperação, ainda que frágil na visão do FMI, já começou.
As novas projeções, divulgadas na manhã da quinta-feira 1º, são melhores que as de seis meses atrás: retração de 1,1% do PIB mundial em 2009 e crescimento de 3,1% em 2010. Basta esmiuçar os números para entender por que os países ricos começam a dar mais voz e poder aos emergentes. É deles que emanam as principais forças da retomada econômica em curso. Suas importações e exportações caíram menos neste ano do que as dos países ricos, numa notável mostra de resistência aos choques atuais. As previsões do FMI para os emergentes são de crescimento de 1,7% este ano e 5,1% no próximo.

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