Caixa que vale milhões Como a Bunge economizou R$ 18 milhões com soluções criativas dadas por funcionários
Tatiana Vaz

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Prêmio: o gerente de inovação Correia (de camisa laranja) com funcionários que deram ideias que ajudaram a empresa a evitar desperdícios. O autor da melhor sugestão ganha um salário adicional
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Peça para um empresário fazer uma lista dos principais desafios de uma companhia e ele colocará no topo das preocupações a busca incessante pela redução de custos. Uma das maiores empresas de alimentos do Brasil, a Bunge alcançou esse objetivo de forma criativa.
Em 2007, a empresa pediu a seus funcionários que dessem ideias capazes de ajudá-la a cortar gastos. As sugestões eram depositadas em caixas colocadas nas fábricas e nas áreas administrativas. Depois, seriam avaliadas por comitês, que decidiam se elas deveriam ser colocadas em prática. Desde então, mais de oito mil propostas foram apresentadas, algo como dez por dia. Dessas, 400 acabaram sendo aproveitadas
E o melhor: depois de implementadas, fizeram a empresa economizar R$ 18 milhões. "Esse projeto comprova como a criatividade faz diferença para as empresas", diz Wanderley Correia, gerente de inovação da Bunge e um dos coordenadores do projeto.
A economia, equivalente a 3% do lucro operacional registrado em 2008, foi alcançada principalmente com soluções simples. Uma delas, feita na verdade por um grupo de pessoas, chega a parecer banal. Os funcionários apresentaram uma alternativa para o uso de táxis.
Em vez de cada colaborador solicitar um carro diretamente à prestadora de serviço, a ideia previa a contratação de uma empresa para gerenciar os pedidos e conciliar as rotas que tinham o mesmo destino. Desde janeiro, a mudança gerou uma economia de R$ 400 mil - valor que seria suficiente para comprar 15 carros populares para a frota da Bunge. Outro grupo de funcionários ajudou a companhia a cortar R$ 280 mil em desperdícios. A solução, de novo, não é milagrosa.
Os empregados sugeriram que a madeira que é utilizada como combustível de caldeiras deixasse de ser armazenada em locais sujeitos a umidade, o que comprometia o seu aproveitamento. Resultado: protegido de ambientes úmidos, a madeira passou a render mais e a empresa gastou menos dinheiro na sua reposição.
Há 14 anos na Bunge Alimentos, Alexandre Campos de Souza, coordenador de utilidades da fábrica paulista de Jaguaré, é o funcionário mais empenhado em sugerir inovações. Sozinho, ele deu 111 ideias para a empresa (24 foram aproveitadas). "Toda vez que uma sugestão minha é colocada em prática, me sinto reconhecido no trabalho", diz Souza.
Além de benéfica para a empresa, a iniciativa estimula os funcionários, que se sentem prestigiados quando uma sugestão é aprovada. Também há outro fator motivacional: no final do ano, o autor da melhor proposta é premiado com um salário adicional. E essa é a única premiação financeira concedida. Segundo Correia, o programa integra um projeto maior de valorizar a inovação dentro da empresa.
A empresa possui um lugar dedicado especialmente a despertar a criatividade dos funcionários. Trata-se do Espaço Inovação, uma área erguida ao lado da sede da Bunge, em Gaspar, no interior de Santa Catarina. No local, os colaboradores podem fazer reuniões em sofás confortáveis ou apenas relaxar. Na área externa, é possível plantar soja, milho e girassol - produtos ligados à área de atuação da companhia. A mensagem é clara: o que a empresa deseja é que seus funcionários plantem ideias que possam valer milhões no futuro.
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