O Rio recebe o show Chega ao Brasil o Oi Fashion Rocks, um festival de música e moda que é sucesso nos Estados Unidos e na Europa
Carolina Guerra
Contrate várias bandas de prestígio internacional. Coloque-as em um palco gigante, cercadas de belas modelos, que desfilam ao ritmo das músicas, apresentando coreografias especialmente pensadas para o espetáculo. Não esqueça dos estilistas. Sim, as peças apresentadas pelas beldades têm de ter a assinatura de um bambambã da moda internacional.
Encha a plateia de personalidades e descolados e se prepare: seu evento tem tudo para "bombar". Que o diga o príncipe Charles, herdeiro do trono da Inglaterra. Em 2003, a Prince's Trust, ong criada por ele para apoiar projetos com jovens carentes em todo o mundo, adotou a fórmula e lançou o Fashion Rocks, espécie de festival beneficente misturando moda e música.
 |
Fórmula certa: em 2005, o evento aconteceu em Mônaco (foto maior) e foi sucesso de público. Acima, os desfiles de moda ensaiados (à esq.) e o croqui do palco no Brasil (à dir.)
|
A ideia pegou, virou um megashow transmitido para dezenas de países pela tevê, e gerou milhões em negócios e, principalmente, fundos para as causas reais. É tanta badalação e dinheiro que, este ano, Dubai, nos Emirados Árabes, Mumbai, na Índia, e Xangai, na China, disputaram a primazia de sediar o evento.
A Prince's Trust, no entanto, optou pelo Brasil e concedeu os direitos ao Rio de Janeiro, que recebe a balada no dia 24 de outubro. A lista de estrelas confirmadas dá uma ideia do prestígio do evento. Do mundo da moda, virão figurões como Donatella Versace, dona da grife Versace, Ricardo Tisci, estilista da Givenchy, o brasileiro Francisco Costa, à frente da Calvin Klein, e Marc Jacobs, além dos nacionais Alexandre Herchcovitch, Lino Villaventura, Lenny Niemeyer e André Lima.
Todos desfilarão clássicos de seu acervo. Do lado da música, devem passar pelo palco os cantores pop americanos Mariah Carrey, Pharrell Williams, JaRule e também Lulu Santos e Wanessa Camargo. O príncipe foi convidado, mas não confirmou presença. Talvez porque a badalação no palco e na plateia sejam demais para ele. Os oito shows - cada banda toca em média três músicas -- serão misturados ao desfiles em duas horas e meia de apresentação.
 |
Estilos diferentes: a edição do ano passado, em Nova York, reuniu a cantora Beyoncé e o estilista Valentino
|
Ao aterrissar por aqui o Fashion Rocks, que acontece no Jockey Club do Rio de Janeiro, ganhou sobrenome. Chega acompanhado da marca da operadora de telefonia Oi, sua maior patrocinadora (assim como em Mônaco, em 2005, se chamou Swarovski Fashion Rocks).
A organização ficou a cargo da agência Rede, do Grupo ABC, do publicitário Nizan Guanaes. A previsão é vender cinco mil ingressos a preços que variam de R$ 800 a R$ 1,4 mil. Achou caro? Os camarotes, que custam R$ 2 mil por pessoa, se esgotaram um mês antes do evento. "Faremos um evento de proporções nunca vistas nas edições anteriores", afirma Bazinho Ferraz, CEO da Rede.
É que todas as outras edições - essa é a quinta, depois de duas em Londres, uma em Mônaco e uma Nova York - aconteceram em locais fechados. A organização brasileira, que inclui sete consultores de moda e música, incluindo o empresário da moda Paulo Borges e o produtor Christian Lamb, que já cuidou de turnês de celebridades como Madonna e Lenny Kravitz, construiu uma arena ao ar livre somente para o evento.
No dia 23 haverá um jantar no hotel Copacabana Palace para 500 convidados, onde acontecerá um leilão beneficente de peças dos estilistas do Fashion Rocks e palestras com profissionais de moda. "O formato do evento é inovador e deve atrair diversos públicos", aponta Danilo Cid, sócio da consultoria Ana Couto Branding & Design. Se der certo, a intenção da Oi é continuar com o Fashion Rocks brasileiro.
"Essas ações nos aproximam do público premium", conta Flávia da Justa, diretora de comunicação da Oi. "O melhor é que parte dos ganhos e do cachê dos artistas será revertida para a caridade", conta Carolina Gimenes, presidente da Rede. Nas edições anteriores, porém, houve quem dissesse que o que mais importou no Fashion Rocks era ver e ser visto - afinal, trata-se de um acontecimento retransmitido para 120 países - e que faltou chamar a atenção para as causas da Prince's Trust. Resta ver se no Brasil será diferente.
|