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Economia saqueada
A crise de Honduras, agravada pelo abrigo de Manuel Zelaya na embaixada brasileira, deixou a economia da América Central à beira do abismo

Gustavo Gantois

Mercado em tegucigalpa: revoltados com o toque de recolher, simpatizantes de Zelaya saquearan supermercados e destruíram agências bancárias

comente a matériaPassava pouco mais do meio-dia da segunda-feira 21 quando as portas da embaixada brasileira em Tegucigalpa se abriram para Manuel Zelaya. O roteiro até que o presidente deposto fosse abrigado pelo Brasil ainda é um mistério. Mas o que veio depois é muito claro. Terceiro país mais pobre da América Latina, Honduras sofre com saques, desabastecimento e uma combalida economia que levará tempo para se reerguer. Antes da crise política, o país já registrava metade de seus habitantes abaixo da linha de pobreza. O PIB de Honduras, que era de US$ 13,7 bilhões, recuará 6% em 2009. E pode cair ainda mais, caso perdure a situação em que se encontram os caminhões que serviriam para abastecer o comércio regional, bloqueados pelos partidários de Zelaya, que enfrentam o toque de recolher imposto pelo presidente interino, Roberto Micheletti.

"A pouca comida que existia nos supermercados foi saqueada", disse à DINHEIRO o diplomata Francisco Catunda, que responde pela representação brasileira. "Estamos vivendo um clima de guerra civil."

O que está acontecendo com Honduras é praticamente um embargo informal. Em julho, quando Zelaya foi deposto, o Banco Mundial e o Banco Interamericano de Desenvolvimento suspenderam ajudas da ordem de US$ 470 milhões. O governo de Barack Obama cortou US$ 36 milhões. E o venezuelano Hugo Chávez, partidário de Zelaya, cortou o abastecimento de petróleo - o equivalente a US$ 1,5 bilhão anual.

"A economia nunca foi lá essas coisas, mas agora está aos frangalhos", diz o cientista político Jorge Yllescas Oliva, ex-ministro de Recursos Naturais de Honduras. "Temos uma reserva gigantesca de petróleo, mas a forma como os governos vêm conduzindo o país leva a situações como essa."

Na quinta-feira 24, após a bandalheira promovida pelos partidários de Zelaya no dia anterior, milhares de hondurenhos foram às ruas protestar contra o que foi exibido em cadeia mundial. Sem nenhuma conotação política explícita, eles pediam apenas o fim das divergências entre os grupos que estão fora e dentro do poder. Um pacto, que colocaria fim às cenas de destruição registradas na semana passada e que, de certa forma, foram agravadas após a decisão brasileira de abrigar Zelaya em sua embaixada.

 


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