O mundo aos pés de Bill Clinton Evento em Nova York reforça a incrível influência do ex-presidente americano, agora no papel de empreendedor social
Hugo Cilo

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Nos passos do poder: sapatos de Bill Clinton (esq.), de Muhtar Kent, da Coca-Cola, e de Mike Duke, CEO do Walmart
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O ex-presidente americano Bill Clinton está há quase dez anos fora da Casa Branca. Ainda mantém, no entanto, o impressionante poder de quem já comandou a principal economia do planeta. Durante toda a semana passada, ele foi o maestro do maior evento político- econômico independente do mundo, em Nova York.
O Clinton Global Initiative (CGI) reuniu na "Big Apple" os 60 mais influentes chefes de Estado e quase 250 presidentes das maiores companhias globais - dos CEOs da Coca-Cola, Walmart e Boeing ao magnata mexicano Carlos Slim e o bilionário Bill Gates. Nem mesmo a concorrência da reunião do G-20, em Pittsburgh, ou da Assembleia Geral da ONU, na mesma cidade, atrapalharam os debates em torno das questões que mais afetam o mundo hoje.
"Não há ideia que não possa ser melhorada. Estamos aqui para aprimorar nossas propostas", disse o CEO da rede varejista Walmart, Mike Duke. "O mundo mudou. Precisamos mudar também", acrescentou Muhtar Kent, presidente da Coca-Cola.
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Debates: o primeiro-ministro da Austrália, Kevin Rudd (esq.), a presidente chilena, Michelle Bachelet, Mike Duke (Walmart) e Muhtar Kent (Coca-Cola) ouvem Clinton
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Encontro de democratas: o presidente Barack Obama cumprimenta Bill Clinton após discurso em que defendeu união por soluções dos problemas do mundo
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No papel de empreendedor social, Clinton mostrou-se perfeito no marketing e imbatível no prestígio.
A abertura do CGI, na terça-feira 22, coube a ninguém menos que o presidente americano, Barack Obama, que fez promessas de um sistema economicamente mais seguro nos próximos anos.
"Os Estados Unidos não vão salvar o atual modelo, mas encontraremos, juntos, as alternativas para um futuro melhor", disse Obama, para mais de 60 chefes de Estado, empresários e representantes de ONGs e de organismos internacionais.
O discurso antecipou o espírito do evento. Neste ano, em sua quinta edição, os debates do evento focaram os temas educação, energia, mudanças climáticas, saúde global e fortalecimento econômico, embora não tenha abandonado as propostas pela redução da miséria, o combate à fome na África, a mortalidade infantil e o controle da Aids.
"Impressionante. Incrível. Pela primeira vez, estamos vendo o mundo unido em torno dos maiores problemas globais", disse o empresário brasileiro Nizan Guanaes, do grupo ABC, um dos patrocinadores do evento. O debate deste ano recebeu novos holofotes em razão do recente cenário de turbulência econômica.
Nesse contexto, as economias emergentes receberam atenção especial. No dia da abertura, Nizan atuou como anfitrião de um jantar que reuniu o economista- chefe do Banco Mundial, o chinês Justin Lin, e o indiano Rajendra Pachauri, chairman do Intergovernmental Panel on Climate Change, Nobel da Paz em 2007.
Um dos pilares do evento, e que envolveu diretamente o Brasil, foi o tema energia. A grande maioria dos líderes defende a redução do consumo de petróleo como saída para questões climáticas e como solução para amenizar as tensões políticas. "O Brasil exerce um papel de liderança quando se fala em combustíveis limpos", destacou Clinton.
A opinião do ex-presidente não era uma exceção. O ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair afirmou que a economia brasileira - a exemplo de outras nações emergentes - será uma das estrelas do cenário pós-crise. "Não podemos negar que o mundo mudou. A construção de uma nova economia depende do sucesso e do empenho dos emergentes", disse Blair.
Elogios e projeções otimistas à parte, a grande missão do Clinton Global Initiative não é a economia nem mesmo a crise global. O maior desafio é transformar as propostas em ações concretas. Na sexta-feira 25, Hilary Clinton encerrou o encontro em um discurso que pediu aos maiores personagens dos mundos corporativo e político mais perspicácia para tomar decisões. Tudo, afinal, por um cenário melhor.
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