O dia em que Mindlin quebrou Um dos maiores empreendedores do País, e apaixonado por livros, levou à ruína justamente uma livraria de obras raras
Tom Cardoso
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| Mindlin, em Casa: em sua livraria, ele recomprava pelo dobro do preço os livros que havia vendido para os clientes |
Anos 40, centro de São Paulo. A cena ocorria quase todos os dias na Parthenon, livraria de obras raras instalada próximo à avenida São Luís. O cliente, ao comprar um livro, recebia de imediato a seguinte proposta de um dos três sócios da loja: "Se o senhor não gostar do livro, ou quiser devolvê-lo depois de ler, volte aqui que eu pago o dobro." Não é preciso dizer que a livraria foi à falência rapidamente, ao contrário de seu excêntrico dono, que, em poucos anos, se tornaria um próspero empresário. José Mindlin não ficou rico comercializando livros, nem poderia: continuou resistindo a vendêlos até se tornar o maior bibliófilo do País, com cerca de 40 mil títulos.
A fortuna veio com a venda de outra mercadoria pela qual ele não corria o risco de exercer qualquer tipo de afeição: pistões para automóveis.
Mindlin não entendia bulhufas de pistões - mas com eles criou a maior empresa de autopeças do Brasil nas décadas de 70 e 80. Mindlin amava (e ama) os livros, mas com eles levou à bancarrota sua pequena livraria. Espirituoso, o bibliófilo de 95 anos começou sua entrevista à DINHEIRO, concedida no confortável casarão no bairro do Brooklin, zona sul de São Paulo, revelando, sem qualquer cerimônia, o seu epitáfio: "José Mindlin: fabricou pistões a maior parte da vida sem saber do que se tratava".
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