O pacto do Pactual Como funciona o agressivo modelo de gestão que fez do banco de investimentos um dos maiores do País
Milton Gamez

" Se eu tiver R$ 1 bilhão a mais ou R$ 1 bilhão a menos, não vai fazer diferença"
André Esteves, presidente do BTG Pactual
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A entrada da sede, em São Paulo: novo logotipo, velha ambição de gerar riqueza individual e crescimento coletivo
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Os sócios de André Esteves não perdem a chance de provocá-lo. Ao comentar sua volta triunfante ao Pactual, readquirido do suíço UBS, o jovem banqueiro soltou a seguinte pérola: "Eu não precisava recomprar a Pactual.
Se eu tiver R$ 1 bilhão a mais ou R$ 1 bilhão a menos, não vai fazer diferença." Ninguém acreditou. Qualquer que seja o contexto da frase, ela soa falsa, pois poucas pessoas são tão abastadas ou esnobes a ponto de desprezar uma fortuna dessas.
No caso de Esteves, 41 anos, foi justamente o desejo de ficar muito rico e sua ambição sem limites que o levaram em poucos anos de simples analista de sistemas a um dos homens de negócios mais poderosos do Brasil. E é exatamente desse espírito competitivo que o recém-nascido BTG Pactual precisa para prosperar em sua nova fase e se consolidar como o maior banco de investimentos dos mercados emergentes, como sonham seus acionistas.
Cada bilhãozinho, real ou imaginário, será necessário. Sem essa motivação, o modelo de gestão implantado pelos fundadores do banco 25 anos atrás simplesmente não funciona. É uma questão de cultura. Quando abriram a distribuidora de valores Pactual, no Rio de Janeiro, Luiz Cezar Fernandes, Paulo Guedes, André Jakursky e Renato Bronfman plantaram na empresa as mesmas sementes da meritocracia e sociedade (partnership) que fizeram sucesso na lendária Goldman Sachs, nos Estados Unidos, e no também memorável Banco Garantia, de Jorge Paulo Lemann, no Brasil.
O sistema tem uma lógica simples. Todos os funcionários são treinados para pensar e agir como sócios, sempre em busca de novos negócios, lucros maiores e custos menores. Os salários fixos são baixos e a remuneração variável depende do desempenho individual e do resultado da companhia como um todo.
Quanto maior for o sucesso das operações e a contribuição pessoal para a geração de valor para o banco e seus clientes, maior é a remuneração de cada um. Os melhores talentos têm a chance de ganhar muito dinheiro e mudar de classe social. Os melhores desse grupo conquistam o direito de ser sócios, numa espécie de seleção natural corporativa. Os piores saem ou são convidados a se retirar.
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Troféus antigos: operações no mercado de capitais são um dos pontos fortes do banco
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"É um sistema que estimula o empreendedorismo e a inovação", diz Sérgio Lazzarini, professor de estratégia do Insper Instituto de Ensino e Pesquisa. O BTG Pactual, que abriu as portas na segundafeira 21 em São Paulo, nasce com patrimônio de US$ 2 bilhões e com US$ 30 bilhões de recursos de terceiros sob gestão.
Tem 70 sócios e mil funcionários. Poucos deles conquistarão o mundo dos bônus maravilhosos e das Ferraris nas garagens, mas todos devem sonhar com ele diariamente. "Quem vem trabalhar aqui tem a ambição de ser sócio. É o que desejamos para todos os funcionários", afirma Roberto Sallouti, um dos que chegaram lá.
Ele define o BTG Pactual como uma cooperativa de banqueiros. "Só é sócio quem trabalha. E muito." Quando saem da sociedade, os donos são obrigados a vender suas ações para os que ficam. Por isso, eles são estimulados a encontrar hoje os talentos que irão enriquecer e ficar com sua parte no negócio amanhã. "Em dez, 15 anos, não estaremos mais aqui.
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