Caipira com visão global Tropeçando na concordância e falando como interiorano, Marcos Molina deixou o açougue do pai aos 16 anos e ganhou o mundo
Por Leonardo Attuch e Ibiapaba Netto

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| Molina, em Mato Grosso: crescimento das vendas do grupo Marfrig chegou a 650% em apenas três anos |
Na tarde da terça-feira 15, o empresário Marcos Molina estava pendurado ao telefone, numa teleconferência com analistas de bancos de investimento. Um deles questionou se a compra da Seara, numa operação de mais de US$ 900 milhões, seria paga com debt (dívida) ou com equity (emissão de novas ações). Molina respondeu de bate-pronto. "Se as ação chegá num valorrr qui nóis acha justo, nóis vai fazê cum ação", diz ele. Outro analista lhe perguntou sobre a importância da aquisição da empresa, até então pertencente à Cargill. E ele respondeu: "Ocêis, analista, vivia no nosso pé dizendo qui nóis tinha marca demais; agora nóis vai ter uma marca-mãe, da Seara, que vai ser a marca guarda-chuva da empresa."
Marcos Molina é assim. Fala como caipira, tem jeito de caipira, tropeça nas concordâncias verbais, mas é um dos empresários de maior sucesso na história recente do Brasil. E o curioso é que ele construiu seu império indo do varejo à indústria. Aos 16 anos, ele deixou o açougue do pai em Mogi-Guaçu e começou a vender cortes especiais de carnes a várias redes de restaurantes de São Paulo, como a churrascaria Fogo de Chão. Foi só em 2000 que ele conseguiu arrendar seu primeiro frigorífico. Em 2007, veio o IPO na Bovespa. E o grupo, nos últimos três anos, fez nada menos que uma aquisição por mês. Ele é responsável, por exemplo, pela maior parte do fornecimento de carnes dos restaurantes da rede McDonald's no Brasil. É também dono dos maiores frigoríficos da Argentina, da Inglaterra, da Holanda e da Irlanda. E, no Brasil, ele enxergou uma oportunidade única quando Perdigão e Sadia se uniram. "Os supermercados não iam querer ficar na mão de um só fornecedor", disse ele à DINHEIRO, numa entrevista recente.
A compra da Seara é um passo claro na estratégia de competir em igualdade de condições com a Brasil Foods. Com dezenas de aquisições, o Marfrig passou a ter várias marcas fortes regionalmente, como Mabella, Pena Branca e Da Granja, mas ainda não tinha um nome nacional. A Seara, que tem presença em quase todo o País, permitirá à empresa criar campanhas publicitárias que posicionem a marca no mesmo nível de Sadia e Perdigão. "A aquisição faz sentido e permitirá ao Marfrig capturar mercado da Brasil Foods", avalia o analista João Carlos dos Santos, da Merrill Lynch. "A marca Seara é forte não só nos produtos industrializados, mas também internacionalmente."
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