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De Goiás para o mundo
Como a empresa criada por um açougueiro em 1953 se transformou na maior do planeta em proteínas animais

Por Leonardo Attuch e Ibiapaba Netto

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Na manhã da quarta-feira 16, o empresário José Batista Júnior, um dos três filhos do fundador do grupo JBS Friboi, decidiu reunir mil pecuaristas em Goiânia para anunciar em grande estilo que sua empresa havia comprado não apenas o Bertin, mas também a Pilgrim's Pride, nos Estados Unidos. Com isso, a empresa acabava de se transformar na maior processadora de proteínas animais do mundo, empregando mais de 125 mil pessoas. "Vamos ajudar o Brasil a consolidar sua liderança global", disse Júnior aos pecuaristas goianos. Em São Paulo, seu irmão Joesley, que hoje está à frente da empresa, também festejava a operação. "É um divisor de águas para a companhia", disse ele à DINHEIRO. E nos Estados Unidos, por videoconferência, Wesley, que toca a operação americana, acompanhava o anúncio do negócio.
BIO BARREIRA
Júnior, o político: filho mais velho do fundador, ele já tentou ser governador de Goiás, mas acabou desistindo

Os irmãos nasceram em Goiás e têm devoção pelo pai, José Batista Sobrinho, conhecido como Zé Mineiro, que, em 1953, criou em Anápolis um pequeno açougue: a Casa de Carnes Mineira. Afora a união familiar, os três têm perfis distintos. Júnior é a cara pública do grupo e já tentou ser governador de Goiás - desistiu quando uma operação da Polícia Federal acusou os frigoríficos da prática de cartelização. Wesley e Joesley são mais discretos. O atual presidente do grupo chega até a ser paranóico em relação a fotos. No dia do anúncio das aquisições do Bertin e da Pilgrim's Pride, fez até uma brincadeira de gosto duvidoso com o editor de fotografia da DINHEIRO, Cláudio Gatti, quando este tentou registrar sua imagem. "Muita gente já morreu por menos", disse ele, sorrindo, enquanto seus seguranças impediam a realização da foto - a que ilustra a capa desta edição foi feita há alguns anos, na festa de Barretos, no interior paulista, quando o grupo JBS ainda era relativamente pequeno.

Com as duas aquisições da semana passada, a empresa comandada por Joesley consolidou sua posição como o maior produtor de carne bovina do mundo, com capacidade para abater mais de 90 mil bois por dia, e também se transformou no líder mundial em couros. Em frangos, passou a ser o segundo. E a empresa será ainda responsável pela maior parte das exportações de carnes não apenas do Brasil, como também da Argentina, da Austrália e até mesmo dos Estados Unidos. "Chegamos por cima no mercado americano", diz Joesley. Uma façanha e tanto para uma empresa que começou abatendo um boi por dia em Anápolis e cresceu com a construção de Brasília, o que lhe permitiu fornecer alimentos para os chamados candangos, os primeiros operários da capital federal.

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