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Dinheiro em ação
por Milton Gamez

Maria Helena Santana, presidente da CVM

Papéis a vulsos
O mistério dos salários vai acabar

Você sabe quanto ganham os presidentes da Petrobras, da Vale ou do Itaú Unibanco? Não? Nos Estados Unidos, esse tipo de informação é pública - afinal, as empresas abertas captam dinheiro do público e deve ser transparentes com seus gastos e incentivos.

No ano passado, o presidente da Motorola, Sanjay K. Jha, foi o executivo mais bem pago do país: seus salários, bônus e opções de ações somaram US$ 104,4 milhões, embora o resultado da empresa tenha despencado. Vikran Pandit, do Citigroup, levou para casa US$ 38,2 milhões, apesar dos prejuízos imensos com a crise do subprime.

O gênio da bolsa Warren Buffett, que teve seu pior desempenho em 2008, contentou-se com US$ 200 mil de salário. Agora, com anos de atraso, os investidores saberão quanto as companhias abertas pagam aos seus executivos no Brasil. A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) deu um jeitinho - bem brasileiro - de revelar essas informações.

A partir de 2010, as empresas terão de informar a remuneração individual mínima, média e máxima dos órgãos da administração, sem revelar os nomes dos beneficiários. Para bom entendedor, meia palavra basta: supõe-se que os maiores salários sejam pagos aos presidentes. A política de remuneração também terá de ser detalhada.

As mudanças virão na revisão da instrução CVM 202. Os novos formulários cadastrais e de referência das empresas foram divulgados na semana passada ao mercado. O colegiado da CVM, presidida por Maria Helena Santana, quer mais informações qualitativas das companhias, inclusive suas políticas de gerenciamento de riscos. Bom sinal.

DESTAQUE NO PREGÃO
Que venham os gringos

O Banco do Brasil quer mesmo fazer a América. Poucas semanas depois de o presidente Aldemir Bendine revelar os planos de abrir um banco de varejo nos Estados Unidos, para conquistar clientes brasileiros e hispânicos naquele país, o BB recebeu autorização do palácio do Planalto para vender certificados de ações no Exterior. Dezenas de empresas brasileiras já são negociadas na Bolsa de Nova York por meio american depositary receipts, ou ADR. Na quinta-feira 17, o banco também foi autorizado a elevar de 12,5% para 20% a participação dos estrangeiros em seu capital. Os ADR do BB poderão ser emitidos com lastro em ações existentes ou, quem sabe, num futuro aumento de capital.

Palavra de analista

A emissão de ADR na Bolsa de Nova York tende a aumentar significativamente a liquidez das ações do BB. Na quinta-feira, a equipe de analistas do HSBC elevou o preço-alvo das ações BBAS3 de R$ 21,50 para R$ 30,00. O horizonte da avaliação, feita por Victor Galliano, Mariel Santiago e Alexandre Gartner, é de 12 meses. O BB irá usufruir a economia mais estável no Brasil, com crescimento das carteiras de crédito e dos resultados. Mesmo assim, dará retornos inferiores aos concorrentes privados de varejo e poderá ter alta na inadimplência no ano que vem. A ação fechou na quinta-feira cotada em R$ 29,60, em alta de 1,2%.

VISANET
Cade dá ânimo ao monopólio

O mercado adora um monopólio. As ações da VisaNet subiram quase 12% em dois dias, para R$ 17,69, depois que o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) suspendeu, na quarta 16, a medida preventiva que determinava o fim da exclusividade no credenciamento da bandeira Visa. Na verdade, a exclusividade já tinha data para acabar: 30 de junho de 2010. É o que diz o contrato da VisaNet com a Visa. A decisão agradou Rômulo de Mello Dias, presidente da companhia. Os papéis da Redecard também surfaram a mesma onda, com alta de 6,4% em dois dias, para R$ 27,44.

Quem vem lá
A caça aos golfinhos voltou

Flipper, além de um simpático golfinho, também é o nome atribuído aos investidores individuais que compram ações nas ofertas públicas iniciais e as vendem no primeiro dia de negociação, com lucro. Esse "pecadinho", embora também seja cometido sem culpa pelos investidores institucionais, não é tolerado pelas novatas da bolsa quando se trata de pessoas físicas.

Algumas argumentam que precisam ter uma base estável de acionistas, com visão de longo prazo; outras temem uma pressão de venda de investidores inexperientes que prejudiquem suas cotações na estreia e nos dias seguintes. Por isso, dão preferência na oferta aos não-flippers. A nova safra de IPO na BM&FBovespa resgatou essa prática. Multiplan e Tivit classificam os investidores em dois tipos: com e sem prioridade de alocação. f iquque de olho É considerado flipper quem vendeu 80% ou mais das ações nas quatro últimas ofertas iniciais no primeiro dia de negociação.

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