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A vitória do V
No começo da crise, os economistas debatiam que letra do alfabeto melhor a representaria. E até agora os otimistas estão vencendo - ao menos no Brasil

Gustavo Gantois

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Reuters/Larry Downing
Wall Street, 14 de Setembro : Barack Obama anunciou o fim da crise, mas disse que a recuperação ainda é lenta nos Estados Unidos

No fim do primeiro semestre, quando o mundo já começava a sair da tormenta, o noticiário foi tomado por uma discussão sobre que letra melhor representaria a recessão de 2009. Falava-se numa recessão em U, com um longo período de queda na atividade, antes da recuperação, talvez em 2010. Ou numa recessão em L, onde a atividade ficaria deprimida por um longo período, como no Japão dos anos 90. Ou mesmo num formato de W, com uma recuperação seguida de uma nova recessão. O cenário mais otimista era uma recessão em V, com uma queda profunda, mas por um curto período, seguido de uma recuperação até o nível anterior à crise. Por incrível que pareça, o cenário que acabou prevalecendo no Brasil é justamente este. Os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados na semana passada, mostram a criação de 242 mil novos postos de trabalho, mais do que no mesmo mês do ano passado e o melhor resultado dos últimos 17 anos. É um V perfeito.

Ricardo Stuckert/PR
Brasília, 16 de setembro: com bons números na manga, Lula e Guido Mantega festejaram a recuperação brasileira

Também é possível perceber um gráfico semelhante na produção industrial e, em menor medida, na bolsa brasileira. No resto do mundo, porém, a recuperação não é tão nítida. E se o Brasil saiu-se bem melhor do que outros países, gracas à força do seu mercado interno, o único problema é que a aceleração do crescimento depende também da atividade econômica no resto do mundo. Num discurso no início da semana no Federal Hall, em Wall Street, o presidente americano, Barack Obama, alertou para os riscos que ainda rondam a maior economia do mundo. "Não vamos voltar aos dias de comportamento livre e excessos indetectáveis que estão no coração desta crise. Wall Street não pode voltar a assumir riscos sem olhar as consequências." Para uma plateia de metalúrgicos, em Ohio, ele foi mais otimista. "Vai demorar um tempo até chegarmos à recuperação total. Mas vamos reconstruir."

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