O verdadeiro dono da Petrosal O empresário Carlos Guerra, de Mossoró, criou uma empresa com esse nome e o governo agora quer que ele ceda a marca por patriotismo
Luciana de Oliveira
 |
" Agora eu fiquei um sujeito importante. Já tem um monte de gente me ligando até para pedir emprego"
Carlos Guerra, Empresário |
Ao lançar o marco regulatório do pré-sal, no começo de setembro, o presidente Lula citou o nome da estatal que seria criada para gerenciar e fiscalizar a exploração do pré-sal, a Petrosal. Foi o bastante para fazer do engenheiro mecânico Carlos Guerra uma celebridade. "Agora sou importante", disse ele à DINHEIRO. Lula batizou publicamente a empresa do pré-sal com um nome cujo proprietário é um pequeno empresário que faz serviços de manutenção de sondas, vende peças à Petrobras e presta atendimento às indústrias de refino de sal em Mossoró, cidade do oeste do Rio Grande do Norte que tem pouco mais de 200 mil habitantes. O governo só foi informado da coincidência nove dias depois do anúncio por meio da imprensa. O episódio criou um impasse. Guerra admite ceder a marca para a União, desde que sejam pagos os custos de fechamento de sua empresa e a criação de uma nova marca. O governo não desdenha a oferta, mas não está disposto a pagar caro. No meio, o grupo Princesa Marcas e Patentes, que tenta fechar e costurar um acordo. Pelos cálculos do grupo Princesa, são necessários, no mínimo, R$ 6 mil para se patentear um nome no Brasil e o processo geralmente se arrasta por dois ou três anos. No entanto, o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, já adiantou que o governo não pagará para ter direito ao nome. "Quem sabe, a empresa patrioticamente abre mão da sigla", declarou o ministro.
PÁGINAS :: 1 | 2 | Próxima >> |