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A receita da Ásia
Como os tigres estão estimulando seus mercados internos, num tempo de vacas magras para as exportações

Hugo Cilo, de Seul

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AFP PHOTO/PHILIPPE LOPEZ
Consumidores na china: países da região esperam que o comprador chinês substitua o americano

Um ano depois da quebra do banco Lehman Brothers, que serviu de estopim para a proliferação do cataclisma financeiro em todo o mundo, o ministro das Finanças da Coreia do Sul, Yoon Jeung-hyun, anunciou na quarta- feira 9, o fim da crise no país. A declaração pegou muita gente de surpresa, especialmente por se tratar de uma economia essencialmente exportadora, que despencou 6,2% no último trimestre de 2008, no auge do pânico. O discurso atual do ministro é fruto de uma guinada no modelo econômico dos antigos tigres asiáticos, que estão tentando fortalecer seus mercados internos de consumo, num tempo de exportações em queda. No caso da Coreia do Sul, que exporta 70% de tudo que produz, a saída tem sido se aproximar dos vizinhos chineses e japoneses. Segundo projeção do Instituto Nacional de Estatísticas da Coreia, a relação comercial com a China vai dobrar em três anos. Atualmente, a China compra 15,3% de toda a produção coreana, percentual que saltará para 34,4% em 2011. Enquanto isso, a fatia destinada aos Estados Unidos cairá dos atuais 17,3% para 14,2%. "No curto prazo, haverá uma fase de ajustes. Mas as economias asiáticas sabem que podem compensar, com uma solução local, a redução da demanda nos mercados americanos e europeus", disse à DINHEIRO o professor de Ciências Sociais da Universidade Nacional de Seul, Chan Wook Park. "A saída é substitiur o consumidor americano pelo asiático".

Essa substituição tem sido alimentada por pacotes bilionários de estímulo às economias. A Coreia do Sul anunciou no início do ano um pacote de US$ 10,9 bilhões - e no segundo trismestre, o PIB do país disparou 9,2% contra o primeiro trimestre. Já a China injetou US$ 585 bilhões em obras de infraestrutura e anunciou redução de impostos em setores fundamentais no quesito geração de empregos. Com isso, o PIB chinês conseguiu crescer 7,1% no segundo trimestre deste ano, depois de ter registrado crescimento de apenas 6,1% no trimestre anterior.

Reação semelhante ocorre no Japão. O país cresceu 3,7% no segundo trimestre do ano, e interrompeu cinco trimestres de quedas graças a quatro megapacotes de estímulo à produção industrial - o último, de US$ 101,6 bilhões. De abril a agosto, 500 mil novos empregos foram criados no país. "Mesmo que sejam diferentes, e tenham disputas em vários campos políticos e sociais, China, Japão e Coreia do Sul têm saído juntos da crise", garantiu à DINHEIRO Hyung-Joo Kim, membro do LG Economic Research Institute. "Estamos copiando o modelo brasileiro, de fortalecer o consumo interno, sem abandonar o nosso foco histórico nas exportações."

 


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