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Dinheiro em Ação
por Milton Gamez

PAPÉIS AVULSOS

Voo no Arco do Triunfo

Desde os tempos de Santos Dumont que os céus de Paris não eram tão importantes para a aviação brasileira como na semana passada. O acordo entre os presidentes Nicolas Sarkozy e Lula pode envolver a compra, pelos franceses, de 10 ou 15 unidades do cargueiro militar KC-390, em desenvolvimento pela Embraer para a Força Aérea Brasileira. “Queremos desenvolver uma grande indústria aeronáutica, construir e vender aviões em conjunto”, afirmou Sarkozy na segunda-feira 7, em Brasília, para alegria do presidente da Embraer, Frederico Curado. Se sair o negócio – os americanos reagiram e insistem em vencer esta batalha (leia reportagem à página 46) –, a Embraer poderá ganhar mais do que um parceiro internacional em um projeto específico. Terá um belo cartão de visitas para fornecer a outros países.

 

Frederico Curado,
presidente da Embraer

A empresa tem três principais fontes de receita: aviação comercial (66,7% dos R$ 3 bilhões obtidos no segundo trimestre), aviação executiva (14,3%) e defesa (6,9%). “Um acordo com a França, caso venha a se concretizar, será extremamente positivo para a Embraer. O impacto dessa venda não será tão significativo, mas outros governos podem decidir fazer o mesmo e comprar as aeronaves”, diz o analista Alan Cardoso, da Ágora Corretora.
“No caso dos Estados Unidos, a situação é semelhante. Como as fontes de receita com aviação comercial e executiva estão difíceis hoje em dia, nada mais lógico do que a Embraer buscar novos clientes. E quanto mais clientes se tem, maior é a oportunidade de se mostrar a qualidade dos produtos. Isso é o mais importante”, avalia.


DESTAQUE NO PREGÃO

A diversão da Hypermarcas

A Hypermarcas está com as mãos no universo Disney. Na terça-feira 8, a companhia acertou as bases para a aquisição da Hydrogen, do Grupo Silvio Santos, que detém a exclusividade para o uso dos personagens criados por Walt Disney em produtos de higiene e beleza. O presidente Cláudio Bergamo tem até 31 de outubro para assinar o cheque de R$ 25 milhões. Com a compra, a companhia ganha força para disputar o mercado de higiene infantil. Mas será preciso dar o mesmo tratamento (leia-se investimento) dado à marca Bozzano para recuperar o apelo do Mickey e sua turma. Nos últimos anos, o investimento da Hydrogen foi menor que o dos concorrentes.

PALAVRA DE ANALISTA

A primeira aquisição do ano não mexe com o caixa da Hypermarcas. Em julho, a companhia captou R$ 540 milhões na bolsa. O gasto de R$ 25 milhões para ficar com a Hydrogen deixa uma folga para compras maiores. “A geração de receitas é boa e o endividamento está tranquilo, o que abre espaço para uma aquisição de R$ 1 bilhão”, diz Iago Whately, analista do Fator Corretora. A Hypermarcas, aos poucos, reforça a carteira de produtos. O próximo passo será a expansão para outros setores de mercado. “Eles se concentram em crescer em beleza e higiene e medicamentos isentos de prescrição médica”, afirma Whately.

 

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