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O jeitinho teutônico
Com uma mãozinha providencial de Angela Merkel, a GM esquece os chineses e vende a Opel para a Magna

José Sergio Osse

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AP Photo/ Carlos Osorio

A contragosto, a norte- americana GM cedeu à pressão política exercida pelo governo alemão e, na última quinta feira, deu sinal verde para que seja concretizada a venda da subsidiária alemã Opel à fabricante austro-canadense de autopeças Magna. Até então, o acordo de venda, anunciado em maio, estava por um fio. Fortalecida pela injeção de recursos do governo dos EUA (hoje seu maior acionista), a GM se sentiu confortável para reavaliar o negócio fechado com a Magna. Nesse período, recebeu propostas de outras companhias, as principais vindas da italiana Fiat e da chinesa BAIC. Outra alternativa ao negócio seria manter a Opel em seu portfólio, enxugando suas operações. As opções da GM causaram pânico no governo alemão. Por um lado, as outras candidatas a abocanhar a Opel não teriam nenhum escrúpulo em demitir funcionários e fechar fábricas na Alemanha. Por outro, abriam a porta para uma invasão chinesa, algo que os alemães, como os europeus em geral, tentam evitar a qualquer custo.

A decisão em favor da Magna só saiu graças à atuação de ninguém menos que Angela Merkel, a chanceler alemã, que acabou unindo o útil ao agradável. Para ela, a venda da Opel para a Magna, nos termos do acordo de maio, é uma vitória importante em sua campanha para conseguir a reeleição, no pleito do próximo dia 27. "Isso mostra que a paciência e a determinação do governo federal foram recompensadas", disse a chanceler ao anunciar a venda, claramente chamando para si os louros. A própria GM deixou claro que a escolha pela Magna foi bastante influenciada pela atuação do governo alemão. "O trabalho duro das duas últimas semanas para esclarecer todas as dúvidas e definir os detalhes do pacote financeiro do governo alemão levaram a GM e seu conselho de diretores a recomendar a Magna", disse Fritz Henderson, presidente e executivo-chefe da GM. "Agradecemos todos os envolvidos nesse intenso processo nos últimos meses - em especial o governo alemão - pelo apoio contínuo que tornou possível esse negócio", concluiu o americano.

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