Friboi mostra seu lado verde Frigorífico diversifica os negócios e anuncia o lançamento de megaempresa florestal em parceria com os dois maiores fundos de pensão do País
Nicholas Vital
Em 21 de setembro é comemorado o dia da árvore. Se nos últimos tempos não havia muito o que celebrar, este ano a coisa promete ser bem diferente. Nesta data, o frigorífico JBS-Friboi anunciará o lançamento de um dos mais ousados projetos de reflorestamento já realizados no Brasil. Em parceria com os dois maiores fundos de pensão do País - Funcef, dos funcionários da Caixa Econômica Federal e Petros, da Petrobras - além da MCL Empreendimentos, uma das maiores negociadoras de terras do País, o Friboi lançará oficialmente a Florestal Investimentos Florestais, empresa que já nasce com a missão de atingir a marca de 215 mil hectares de florestas de eucalipto até 2015. Se tudo correr bem, será a maior produtora de madeira do Brasil.
Além de reforçar a imagem sustentável do frigorífico, o maior processador de carne bovina do planeta, a criação da nova empresa é tida como um marco pelos fundos de pensão, já que é a primeira vez que investem no segmento florestal, considerado ambiental e socialmente correto. Pelo acordo, os fundos terão 49,75% das ações da nova companhia, enquanto JBS-Friboi e MCL Empreendimentos serão os majoritários, com 50,25%. "A Florestal já nasce com capital de R$ 1,1 bilhão e cerca de 76 mil hectares de terras nos Estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul", afirma Guilherme Lacerda, presidente da Funcef.
R$ 1,1 bilhão é o capital inicial da nova empresa. Dinheiro vem dos fundos Funcef e Petros
De acordo com fontes do mercado, a estrutura da Florestal Investimentos Florestais, que será presidida por Derci Alcântara, ex-diretor de agronegócios do Banco do Brasil, já está praticamente pronta e a operação deverá ficar a cargo da MCL Empreendimentos, do empresário e pecuarista Mário Celso Lopes, que também será a responsável pela compra das novas áreas. Toda a produção será destinada às indústrias de celulose, energia e serraria.
"Eu ouvi boatos a respeito da entrada do Friboi na silvicultura, mas eles ainda não nos procuraram. Esse tipo de negócio, por ser muito grande, é feito de forma ultrassecreta para não valorizar as terras", completa Dito Mário, diretor-executivo da Associação Sul-Mato-Grossense de Produtores e Consumidores de Florestas Plantadas, ressaltando que os investimentos da nova empresa podem impulsionar ainda mais o setor no Estado.
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