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O pacote ficou ainda maior. Ou quase
Além da compra de submarinos e helicópteros, Lula acerta com Nicolas Sarkozy a aquisição de 36 caças franceses, mas a disputa não terminou

Gustavo Gantois

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Ricardo Stuckert/PR
Lula e Sarkozy: o brasileiro antecipou ao francês o resultado da licitação

Já se sabia que, nas comemorações do 7 de setembro, o presidente Lula anunciaria com pompa e circunstância o maior pacote militar da história recente do País, com investimentos de R$ 20 bilhões na compra de submarinos e helicópteros franceses. Mas durante um jantar com o presidente francês, Nicolas Sarkozy, em que se serviram churrasco e moqueca capixaba, Lula decidiu também concluir um processo que se arrastava havia quase dez anos, anunciando a intenção de adquirir 36 caças franceses, os Rafale. Com isso, a conta do pacote bélico subiu para R$ 37,5 bilhões. "Nós decidimos começar as negociações para a compra dos Rafale", disse o presidente em entrevista coletiva no dia seguinte. Apesar disso, a questão ainda não está decidida. Um dia após o anúncio, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, reuniu os líderes de partidos políticos no Congresso para dizer que não havia nenhum negócio fechado. Em nota, a Aeronáutica afirmou que o resultado oficial da licitação será divulgado no fim do mês, quando entregará seu relatório técnico à Presidência da República.

O episódio ilustra que, nesta questão militar, o presidente Lula chamou para si a decisão. O que teria pesado a favor dos franceses seria a transferência de tecnologia e os benefícios à Embraer. Há duas semanas, em entrevista à France Presse, o presidente elogiou a disposição da Dassault, que produz o Rafale, em abrir vários processos da produção do caça para fabricantes nacionais. E antes mesmo da coletiva, na segunda-feira 7, Lula chamou Juniti Saito, comandante da Aeronáutica, num canto do Palácio para comunicá-lo das conversas que tivera com Sarkozy na noite anterior. Enquanto Lula falava, Saito acompanhava, juntamente com Por dentro do Rafale os jornalistas, o material que tinha sido distribuído pela assessoria do presidente. Naquela mesma noite, o comandante da Aeronáutica chegou a apresentar sua demissão a Jobim, que recusou e pediu paciência. "O chefe é assim mesmo, passional", disse o ministro.

No CCBB, sede temporária da presidência, a articulação pró-França vinha sendo liderada pelo Itamaraty. A avaliação dos diplomatas envolvidos na negociação era a de que se o Brasil desse um sinal mais claro de que estava inclinado ao Rafale, o governo americano poderia baixar a guarda e lançar mão da transferência de tecnologia que tanto brilha aos olhos dos militares brasileiros. Dito e feito, na quarta-feira 9 a embaixada americana divulgou um comunicado no qual diz esperar que o governo brasileiro não tenha tomado uma decisão final sobre a compra das aeronaves. "A análise feita pelo Congresso dos EUA sobre a venda potencial do F/A-18 Super Hornet foi concluída em 5 de setembro sem nenhuma objeção formal à venda proposta", diz a nota. "Isso significa que a aprovação do governo dos Estados Unidos para transferir ao Brasil as tecnologias avançadas associadas ao F/A-18 Super Hornet é definitiva."

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