Ele vai revolucionar a telefonia? A compra da GVT pela Vivendi, comandada por Jean-Bernard Lévy, pode acelerar a convergência no mercado brasileiro de telecomunicações
Gustavo Gantois
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Não é mistério para ninguém que hoje é possível telefonar pelo computador, navegar pela internet no celular ou fazer downloads pelos consoles de videogame. Isso é o que a indústria da tecnologia chama de convergência: a união de diversos meios de comunicação em um só aparelho. Pois essa convergência tecnológica está provocando uma espécie de convergência entre as empresas. Operadoras de telefonia, grupos de comunicação e portais estão invadindo o terreno alheio na ânsia de dominar os mais variados canais de comunicação. Ao anunciar a intenção de comprar a brasileira GVT por R$ 5,2 bilhões, a Vivendi - o maior conglomerado de mídia da França - acelerou esse processo no mercado brasileiro. Seu portfólio de serviços vai de games aos serviços convencionais de telefonia e internet, passando pelo controle da gigante fonográfica Universal Music. É provável que, após fincar o pé na telefonia brasileira, o grupo francês estenda sua atuação para outros setores familiares - uma intenção que seu presidente Jean-Bernard Lévy deixou clara. "O Brasil precisa de um grupo forte para mexer nesse mercado", disse Lévy, ao jornal Le Monde. "E não estamos falando apenas de telefonia."
Fenômeno ainda recente no Brasil, os pacotes de promoção se tornaram a principal arma para a conquista de clientes no setor de telecomunicações, que descobriu as vantagens de oferecer, em conjunto, serviços antes vendidos separadamente, como telefonia fixa, móvel, acesso à internet e tevê paga. A Embratel, por exemplo, aposta no Combo, que alia a tevê por assinatura da NET , a internet do Vírtua e a linha telefônica do Net Vírtua em um só pacote. O mesmo acontece na Telefônica, que oferece a TVA e o Speedy em promoção com as linhas fixas da companhia. "Historicamente, quando o cliente compra três ou mais serviços de um provedor, a possibilidade de mudança de fornecedor é menor", justifica Luís Minoru, diretor-geral do Yankee Group para a América Latina. "Ele só muda se o serviço for muito ruim." E essa é uma realidade não tão distante.
Levantamento do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor mostra que oito em cada dez reclamações registradas são relacionadas ao setor de telecomunicações. "As empresas tentam oferecer tudo ao consumidor sem ao menos ter uma base para segurar a demanda de forma satisfatória", aponta Marilena Lazzarini, assessora de relações institucionais do Idec.
É um risco que a Vivendi corre - a julgar pelas metas ambiciosas anunciadas por Jean- Bernard Lévy. Em alguns anos, o grupo pretende multiplicar por quase dez o número de linhas em serviço da GVT, incluindo banda larga e VoIP, que saltará de 2,3 milhões para 22 milhões. Para ele, o mercado de programas de tevê pela internet por assinatura tem um potencial pouco explorado no Brasil.
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