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Para que servem as estrelas?
Enquanto alguns hotéis esbanjam uma constelação, outros deixam de adotar a classificação celeste como selo de qualidade

Carolina Guerra

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Burj Al Arab *******: o hotel, que se tornou cartão-postal de Dubai, nos Emirados Árabes, inventou a classificação de sete estrelas, única no mundo
Nas últimas décadas, o principal critério de escolha de um hotel sempre foi o número de estrelas que ele ostentava em sua fachada. Quem tinha dinheiro optava por um estabelecimento cinco estrelas, título que valia como um espécie de selo de excelência. Se a pessoa desejava economizar, a preferência recaía sobre um local menos estrelado. O sistema funcionou muito bem até que algumas redes começaram a extrapolar. Como nenhuma entidade mundial detinha a responsabilidade pela classificação, o conceito variava de país para país e acabou se banalizando. Grupos hoteleiros que não ofereciam serviço e instalações de alto nível, teoricamente indispensáveis para uma correta constelação, passaram a se autopromover com estrelas indevidas. Para se diferenciar dos espertalhões, hotéis de qualidade comprovada inventaram o conceito de seis (como o The Palace of the Lost City, na África do Sul), depois sete estrelas (o Burj Al Arab, de Dubai). Resultado disso é uma confusão só. “Hoje em dia, o que vale não é o número de estrelas de um hotel, mas a força de sua marca”, afirma Antonio Dias, vice-presidente da Associação Brasileira de Hotéis.
The Palace of the Lost City ******: localizado na cidade de Pilanesberg, na África do Sul, foi o primeiro a superar a barreira de cinco estrelas para se diferenciar dos demais. A ousadia foi copiada pela concorrência

No mês passado, uma medida radical anunciada pelas redes Hilton e Inter Continental iniciou o que parece ser o fim da classificação celeste dos hotéis. Suas unidades na turística Viena, capital da Áustria, deixaram de se auto intitular cinco estrelas. Segundo fontes do mercado, as empresas decidiram retirar o conceito por-que ele estaria afugentando clientes, receosos de que um hotel bem cotado nesse quesito fosse caro demais para os seus bolsos. O processo é reflexo também da crise. “ Os hotéis do Exterior não conseguiram manter os níveis de ocupação”, diz Francisco Garcia, diretor do Inter Continental Hotels Group no Brasil. “ Com a guerra das tarifas para conseguir clientes, foi preciso cortar o que era considerado extravagante.” Uma pesquisa realizada pela Smith Travel Research, consultoria do ramo hoteleiro, revelou que de janeiro a julho de 2009 os níveis de ocupação dos hotéis de luxo caíram em 14%, se comparados com o mesmo período do ano passado. A média de ocupação dos hotéis de luxo despencou de 71% para 57%. Para tentar frear esse processo, as redes diminuíram os preços das diárias em 16%. Ainda de acordo com o estudo, os hotéis de primeira linha vão fechar 2009 com um faturamento 25% inferior ao obtido no ano passado. “A crise obrigou os estabelecimentos de luxo a fazer cortes”, afirma Jeff Higley, vice-presidente da Smith Travel Research. “grande desafio é enxugar sem afetar a experiência do hóspede, o que é algo bastante complexo.”

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