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Lição de Anatomia na crise
Ministros do G20 se reúnem em Londres e concluem: a economia mundial ainda não está pronta para respirar sem aparelhos e ajuda do Estado

Denize Bacoccina

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Fotomontagem
Paciente Sob Cuidados: Na pintura de Rembrandt, Xiu Xuren, Christine Lagarde, Alistair Darling, Ben Bernanke, Timothy Geithner, Dominique Strauss-Kahn e Guido Mantega. Todos acham que é cedo para retirar os estímulos fiscais e monetários

Foi uma reunião de ministros de Finanças, mas parecia mais uma junta médica. No encontro do G20 financeiro, em Londres, no fim de semana passado, os ministros concluíram que o remédio adotado até agora - com trilionários estímulos fiscais - foi eficiente para garantir a sobrevivência do paciente. Mas ainda não se sentem seguros para desligar os aparelhos que o mantêm respirando. "A crise lá fora ainda não foi superada e as economias ainda estão debilitadas. Elas mal começaram a dar os primeiros sinais de crescimento", disse à DINHEIRO o ministro da Fazenda, Guido Mantega. Firme defensor da manutenção dos pacotes de estímulo à economia, ele conseguiu convencer os colegas de que ainda é cedo para desligar o oxigênio. "É prematuro pensar em saídas para a ação anticíclica. Pior do que ter um déficit público elevado é ter uma dívida elevada com crescimento baixo da economia", afirmou o ministro. A disposição de continuar com os pacotes de estímulo deve ser mantida na reunião dos líderes dos países do G20, dias 24 e 25, em Pittsburgh, nos Estados Unidos. Pelo menos é essa a posição do presidente americano, Barack Obama. "Como líderes das maiores economias do mundo, temos a responsabilidade de trabalhar juntos para promover o crescimento", disse ele, num comunicado oficial.

Vários países já tiveram crescimento no segundo trimestre, embora não se possa afirmar que a recuperação é definitiva. O economista Nouriel Roubini alertou para a possibilidade de uma nova queda na atividade econômica depois desta recuperação. Na reunião dos ministros em Londres, Mantega citou o economista da Universidade de Nova York, famoso por prever a crise antes de todo mundo. "Eu não acredito que nós teremos uma trajetória em W se continuarmos a trabalhar do jeito que estamos trabalhando. E a maioria concordou comigo", disse o ministro.

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