Onde foi parar o lucro dos americanos? É incrível: bancos dos EUA voltam a ganhar dinheiro em casa, mas ainda não conseguem bons resultados no Brasil
Márcio Kroehn
George Washington, o homem dólar, já pode sorrir nos cofres dos bancos americanos. Depois de vários meses com prejuízos consecutivos, muitos deles voltaram a dar lucros no primeiro semestre de 2009. Ícones de Wall Street, como Merrill Lynch e Citigroup, saíram do vermelho, enquanto outros começaram a devolver ao governo de Barack Obama o dinheiro do socorro financeiro recebido de seu antecessor. O curioso nessa história é que as filiais das instituições dos EUA não conseguem esbanjar bons resultados no Brasil, provavelmente o melhor mercado do mundo para os banqueiros. Os balanços do primeiro semestre, publicados nas últimas semanas em jornais de circulação restrita, indicam que eles ainda têm muito o que aprender com os concorrentes locais.
Depois de lucrar R$ 169 milhões nos primeiros seis meses de 2008, o Merrill Lynch perdeu quase R$ 37 milhões até junho de 2009 (veja tabela). O Goldman Sachs continuou no prejuízo e queimou R$ 14 milhões, enquanto o Morgan Stanley lucrou apenas R$ 1,55 milhão, uma fração dos R$ 42 milhões do lucro anterior. O Citibank aumentou seu resultado local de R$ 1,2 bilhão para R$ 1,7 bilhão, mas à custa da venda de ações da Redecard, que engordaram o resultado não operacional para R$ 2,5 bilhões. Como o mercado brasileiro foi um dos menos afetados na crise do subprime e permitiu bons lucros às instituições financeiras, esses resultados não deveriam ser muito melhores? O Citibank acha que não, pelo menos no seu próprio caso. "O resultado operacional nos últimos três semestres é consistente, mesmo com todos os problemas da economia", diz Alexandre Ferreira, controller do Citi no Brasil. Será? Pode ser.
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