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O fino da concorrência
A taiwanesa MSI lança no Brasil um notebook para brigar diretamente com o MacBook Air da Apple. Sua vantagem? Um preço muitíssimo menor

ROBERTA NAMOUR

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Nas próximas semanas, clientes da rede Walmart vão se deparar com um novo notebook ultrafino nas prateleiras dos artigos eletrônicos. O computador com tela de 13 polegadas tem 6 mm de espessura nas bordas e 1,3 quilo de peso. Não se trata de uma nova versão do MacBook Air, da Apple. Mas poderia ser, se não fosse por dois detalhes. Um: seu preço é bem inferior ao produto de Steve Jobs. Comparando os modelos top de linha, ele custará R$ 2.699, contra os R$ 9.999 do MacBook Air, disponível na rede de varejo. A versão mais simples sairá por R$ 2.499 - o preço do Apple é R$ 7.499. Além disso, outra característica que diferencia os equipamentos é o símbolo estampado na parte externa de cada um. No lugar da maçãzinha está a marca MSI, uma gigante asiática que faturou US$ 3 bilhões em 2008. Mas, no Brasil, ela é uma quase desconhecida. A pergunta que fica é: a diferença do preço será suficiente para disputar a prefêrencia do brasileiro com marcas tão tradicionais, como a Apple? Os especialistas dizem que sim. "Existem muitos consumidores, como eu, atrás de um ultrafino sem que seja necessário migrar para o Mac, que exige uma reeducação do usuário", afirma o consultor em gestão de marcas José Roberto Martins, que tentou comprar o computador da MSI no EUA, mas não encontrou. "Isso pode fazer com que a força da marca fique em segundo plano."

O nome MSI pode ser desconhecido no Brasil. No entanto, sem saber, diariamente milhares de pessoas usam algum produto da taiwanesa por aqui. A MSI atua no Brasil desde 2004. Fabrica notebooks para outras marcas. Entre eles, o Mobo, da Positivo Informática. Ela também mantém parceria com a Digitron, que produz, em Manaus, placas-mãe MSI para o mercado nacional. Mas a companhia quer mais. Decidida a brigar pelo mercado brasileiro, a empresa se dedicará agora a divulgar e fixar sua marca na cabeça dos consumidores. O foco de sua estratégia são os aficionados por tecnologia - um público formador de opinião. Recentemente, a companhia lançou uma promoção na internet. Para concorrer a uma viagem para a Austrália, os candidatos tiveram de criar vídeos no YouTube ressaltando algumas das características dos produtos da MSI. Além disso, organizou a competição MOA (Master Overclocking Arena). O campeonato é destinado aos adeptos à prática de fazer com que o computador opere em frequências superiores à que foi projetado, forçando suas configurações de hardware. O casal de brasileiros Ronaldo e Fabíola Buassali se classificou para a final.

Mas seu maior trunfo para sair do anonimato é a sua cadeia de produção enxuta, que possibilitará preços sensivelmente mais baixos de seus produtos no varejo. "As empresas de computador têm apertado tanto as fabricantes para reduzir as margens de lucro que se tornou mais vantajoso criar uma marca própria", afirma Marcelo Martins, diretor da MSI Computer do Brasil. A matriz liberou R$ 60 milhões para a subsidiária brasileira inciar a produção de quatro linhas de computadores até o final do ano. Eles serão montados na fábrica da Digitron. "A hora é agora. O mercado está reagindo bem e faltam produtos nas lojas", diz Marcelo Martins. A meta da empresa é se posicionar num nível de preços que fique acima dos fabricantes nacionais e abaixo das multinacionais. "A barreira de entrada nesse mercado é o preço", afirma Marcelo Zuffo, professor da USP e especialista em meios eletrônicos interativos. "Como se trata de uma máquina de alto nível tecnológico, a MSI tem tudo para ser um sucesso em vendas." Além dos notebooks ultrafinos, da série X-Slim, vai produzir um notebook de 14'', para gamers. O volume inicial da produção será de cinco mil unidades por mês. "Tudo indica que esse número irá aumentar porque a receptividade por parte dos varejistas tem sido muito positiva", diz Marcelo Martins, que já negocia parcerias com outras redes do varejo. A partir de outubro, a MSI colocará no mercado um desktop "tudo em um". Com tela LCD touch screen de 19", ele reúne componentes e monitor em um único gabinete. O produto custará R$ 1.899. Para não concorrer com seus parceiros na venda de netbooks, a empresa pensa em trazer também o primeiro ultraportátil com plataforma AMD do mercado.

Para José Roberto Martins, o grande problema das asiáticas que desembarcam no Brasil é a questão do pósvenda. Mas, para isso, a MSI já tem uma resposta. A empresa fechou uma parceria com a Cybermax para oferecer assistência técnica local. A rede possui 350 pontos de atendimento. Se a entrada no mercado brasileiro sair como o planejado, mais novidades da marca podem, em breve, chegar por aqui. Em janeiro de 2010, a empresa vai apresentar ao mundo um smartbook. Trata-se de um equipamento de 600 gramas, um pouco maior do que um smartphone, mas bem mais fino que um netbook. A previsão é de que o preço seja 30% menor que o de um minilaptop. Agora é esperar para ver se a MSI vai emplacar por aqui.

 


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