Alívio! O emprego voltou Com a retomada da economia, executivos voltaram a se recolocar no mercado. Mas muita coisa mudou. Empresas e os profissionais ficaram mais exigentes
Tatiana Vaz
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Pesquisa revela que, desde junho, o número de cargos de alto escalão disponíveis no mercado subiu 15% |
Nos últimos anos, o crescimento da economia brasileira provocou uma euforia desmedida na carreira executiva. Com os negócios em alta e balanços financeiros sempre positivos, as empresas passaram a oferecer remunerações cada vez mais generosas. O mercado em expansão fez com que a competição pelos melhores profissionais chegasse perto da selvageria. Eram raros os executivos de ponta que ficavam muito tempo sem receber uma oferta de trabalho. Se a proposta significasse mais dinheiro, gerentes, diretores e até presidentes quase sempre trocavam de endereço profissional. Como resultado desse processo, as companhias começaram a sofrer para dar continuidade a seus projetos e os recém-contratados não desenvolviam nenhuma afinidade com a nova companhia. Afinal, era difícil acreditar que eles próprios permaneceriam muito tempo no emprego. Desde setembro do ano passado, porém, o agravamento da crise financeira global transformou a euforia em pânico. Muitas empresas demitiram. Algumas congelaram promoções. Praticamente ninguém contratou.
Agora que a economia dá sinais de forte retomada, os empregos apareceram novamente. Mas o mercado está diferente - e isso é bom.
Uma pesquisa realizada pela empresa de headhunters Michael Page demonstrou que, desde junho deste ano, o número de cargos de alto escalão disponíveis na praça subiu 15%. Mesmo assim, ainda está abaixo dos níveis de ofertas verificados no período pré-crise. "A boa notícia é que o mercado amadureceu com os novos desafios impostos pelas dificuldades econômicas", afirma Saulo Lerner, diretor da Right Management, empresa especializada na recolocação de executivos. A mudança mais notável diz respeito ao fim do imediatismo antes disseminado em todos os níveis hierárquicos. A crise fez com que as empresas passassem a planejar melhor as contratações e os profissionais calculassem os riscos de mudanças frequentes de emprego.
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