Esta casa vale ouro Como a Cyrela, famosa por seus imóveis de luxo, se tornou a construtora mais valiosa da América Latina apostando no segmento popular
Adriana Mattos

Duas semanas atrás, Elie Horn, o homem que manda na Cyrela Brazil Realty, conversou com analistas de mercado. Como Horn só fala (e rapidamente) do próprio negócio pouquíssimas vezes ao ano, todos querem ouvi-lo. Discretíssimo e obcecado por informação, o empresário falou sem parar por sete minutos, o que, em seu caso, é um tempão.
Disse que desde abril "um mês é melhor do que o outro". Afirmou que em todos os segmentos, de prédios para a classe baixa aos edifícios luxuosos, a demanda já supera o período pré-crise. Em junho, quando lançou dois edifícios com apartamentos de R$ 1,4 milhão, a Cyrela vendeu 56% das unidades. Em julho, comercializou 1,3 mil unidades com preço médio de R$ 150 mil - um terço da soma total do ano.
"Devemos repetir em 2009 o desempenho de 2008. Vendemos mais do que lançamos", afirmou Horn. Dias depois, relatório da Economática reforçava o ótimo momento vivido pela Cyrela. Em agosto, ela se tornou a maior construtora e incorporadora em valor de mercado da América Latina.
O montante superava US$ 4,8 bilhões. Ao se incluir nessa seleção as empresas abertas norte-americanas o grupo alcançaria a terceira posição. Em relação à margem Ebitda, variável fiel à saúde do negócio, a da Cyrela é a 11ª melhor entre as companhias abertas nas Américas - escalou quatro posições em 2009. Outras empresas do setor acumulam valorizações fortes no mesmo período. Mas, no caso da Cyrela, a boa vontade dos investidores reflete a adoção de uma nova, e aparentemente bemsucedida, estratégia de negócios
A companhia está ampliando um de seus braços, a Living, focado nas classes de menor poder aquisitivo. De modo geral, as construtoras pretendem aproveitar os benefícios do programa "Minha Casa, Minha Vida", lançado em julho pelo governo federal.
A Cyrela teve que correr mais rápido. Pelas contas da Fator Corretora, em maio, apenas 4% dos terrenos da empresa se encaixavam nas exigências do programa. Em três meses, essa taxa atingiu 21%. O segmento supereconômico, que era só 2% das vendas contratadas há um ano, responde por 29% hoje.
Além disso, a margem bruta do Living ficou acima da meta prevista de 31% a 32% em 2009. Na concorrente MRV, com maioria avassaladora dos lançamentos nessa área, a taxa caiu três pontos e está em 33%. Além disso, a Cyrela está crescendo com baixo endividamento e obtém recursos baratos para expansão.
Dias atrás, anunciou plano de emissão de R$ 350 milhões em debêntures. "Mesmo se não vendermos mais nem um apartamento nos próximos dois anos, nossa necessidade de caixa ainda estará equalizada", diz Luis Largman, diretor financeiro. "O endividamento controlado da Cyrela frente aos seus pares e o seu grande porte no mercado contribuem para que se recomende o papel", informa o último relatório da Coinvalores.
 |
Horst, presidente:
ele será a voz do controlador, o espanhol Enrico Bañuelos
|
Sob o mesmo teto
Agra, Abyara e Klabin Segall fundem suas operações na Agre
O bilionário espanhol Enrique Bañuelos deu mais um passo para consolidar sua posição no setor imobiliário brasileiro. Na quarta-feira 2, foi anunciada a integração dos ativos de Agra, Abyara e Klabin Segall em uma única empresa batizada de Amazon Group Real Estate (Agre).
Ela nasce como a terceira maior potência do setor, atrás de Cyrela Realty e Gafisa. "Entramos na primeira divisão e agora nossa meta é ganhar o campeonato", diz Luiz Roberto Horst, presidente da Agre. Bañuelos vai controlar uma companhia com valor de mercado de R$ 2,3 bilhões, faturamento de R$ 3,2 bilhões e R$ 700 milhões em caixa.
Novas aquisições não estão descartadas. Mas a prioridade é concluir as obras já lançadas e fortalecer a presença da Agre no Norte e no Nordeste. O foco são os imóveis para as classes C e B, filões considerados lucrativos por Horst: "A taxa de retorno chega a 18%, idêntica à dos imóveis de alto padrão." (R.G.F.)
|
|