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O rival virou meu sócio
Julio Serson, dono da rede Vila Rica, constrói hotéis para a concorrente Accor e inaugura um novo modelo de negócios

ROSENILDO GOMES FEREIRA

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Karime Xavier / AG. ISTOE
Julio Serson: "Estamos transformando um possível inimigo em um grande aliado"

Karime Xavier / AG. ISTOE
Rumo ao norte: Hotel Ibis, de Belém (foto), marca o início da parceria com a gigante francesa, que será estendida também para Rondônia

No dia 1º de agosto, a gigante francesa Accor abriu as portas de um moderno hotel Ibis, em Belém (PA), exatamente ao lado do hotel Vila Rica comandado por Julio Serson. O empresário paulistano não se intimidou com a chegada da concorrente. Ao contrário. Foi um dos convidados para a festa de inauguração - e compareceu. Isso porque Serson bancou a construção do empreendimento, que consumiu R$ 13 milhões. Mas também não se trata apenas de um investidor. Serson cuidou do projeto de ponta a ponta, das primeiras plantas de engenharia à contratação e treinamento dos funcionários. Somente quando estava tudo em funcionamento, entregou a chave para o grupo Accor, que, a partir daí, passou a operar o hotel. Dessa forma, Serson criou um novo modelo de negócios, no qual se tornou uma espécie de "fazedor de hotéis". As duas partes extraem dividendos dessa associação. Para Serson, a parceria representa uma nova frente de ganhos. Para os franceses é a oportunidade de ter ao seu lado alguém com larga experiência no setor. Para construir um hotel Accor é preciso seguir uma cartilha rigorosa. Nela, estão expressos desde dispositivos sustentáveis, como mecanismos para captação e uso de água da chuva, até vidros duplos, para que o barulho externo não perturbe os hóspedes. E Serson conhece bem esse mundo da hotelaria. Agora, ele pretende repetir a dose em Porto Velho (RO), onde também possui um hotel. Desta vez, o desembolso será de R$ 14 milhões e o "rival" Ibis deverá começar a operar até o final de 2010. "Estamos transformando um possível inimigo em um grande aliado", explica Serson. Além disso, ele acredita que o Vila Rica não deverá sofrer impacto com a chegada do competidor. "Os hotéis atendem faixas de público distintas. Enquanto o Ibis está posicionado na categoria econômica, o Vila Rica atua no segmento intermediário", destaca.

O projeto bolado por Serson inclui ainda o investimento em estruturas capazes de ampliar o fluxo de pessoas para esses hotéis. Na capital paraense será erguido um shoppingcenter, enquanto para Porto Velho a opção foi pela construção de um edifício destinado a profissionais da área médica. A unidade contará com consultórios, laboratórios e salas para pequenas cirurgias. A região é carente de serviços dessa natureza e deverá experimentar um rápido crescimento com a construção de grandes hidrelétricas no rio Madeira. Ao unir duas bandeiras hoteleiras complementares e adicionar uma estrutura de serviços, Serson está apostando no que os especialistas chamam de complexo multiuso. "Esse modelo cria benefícios para todos os parceiros. Isso foi comprovado por uma pesquisa que fizemos enfocando as experiências na Europa, nos Estados Unidos e no Brasil", diz o consultor José Ernesto Marino Neto, sócio da BSH International. O ganho, de acordo com ele, é de 30%, em média, quando comparado a um hotel idêntico mas que atua de forma isolada.

Isso, no entanto, não significa dizer que a rede Vila Rica será riscada do mapa. O empresário pretende aplicar R$ 10 milhões na modernização dos sete hotéis próprios, espalhados pelas regiões Norte, Nordeste e Sudeste. Sua meta é converter alguns deles para a grife Mercure, também da Accor, ampliando a aliança com os franceses. A marca Vila Rica será usada em novas unidades que serão erguidas nos Estados do Norte e do Nordeste. A família chegou à região em 1975, quando assumiu parte do espólio da companhia de aviação Cruzeiro do Sul, comprada pela Varig. Além de hotéis e da divisão imobiliária, o grupo conta ainda com a Living Turismo e o Haras Flávia. A meta do empreendedor é reduzir a dependência da cadeia Vila Rica, que colabora com 65% das receitas totais. Mas sem voltar as costas para o segmento no qual seu pai, Luiz, ingressou em 1965. "A hotelaria está em nosso DNA e vai continuar por muito tempo", garante Serson.

 


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