A hora do Brasil Por que a Marsh Corretora considera o País mais atraente que a própria China no resseguro de grandes riscos
Márcio Kroehn

Os ponteiros do mundo apontam para o Brasil. Neste ano de espera pela recuperação econômica dos principais países, por aqui os negócios estão intensos. Quem não descansou um minuto sequer foi o relógio da Marsh Corretora de Seguros. Projetos de infraestrutura e engenharia formaram pilhas na mesa de Thomaz Menezes, presidente para o Brasil e América Latina. Era preciso sair em busca de resseguradoras interessadas em dividir o risco de grandes obras entre as mais de 80 autorizadas a trabalhar no mercado brasileiro após o fim da exclusividade do IRB no ano passado. O mais importante deles foi a construção da usina Santo Antônio, no rio Madeira. Em plena Floresta Amazônica, a Marsh nadou de braçadas.
A corretora foi uma das três empresas contratadas para repassar a apólice de R$ 9,5 bilhões da Santo Antônio, a maior do mercado de resseguros no mundo em 2009. O negócio ajudou a turbinar o resultado do primeiro semestre da corretora. Metade dos R$ 854 milhões em prêmios no mercado brasileiro vieram dos grandes riscos. "Com o bom desempenho no auge da crise, é possível que o mercado segurador como um todo continue em crescimento", afirma Silas Devai, gerente sênior da área de seguros da Accenture. A Marsh, fundada em 1871, em Chicago, vendeu mundialmente US$ 11,5 bilhões no ano passado. Aqui, renovou as apostas no País diante dos negócios bilionários que estão por vir.
Em agosto, as resseguradoras garantiram R$ 7,5 bilhões nos projetos das usinas Jirau, também no rio Madeira, e (eólica) Gargaú, no Rio de Janeiro. É uma pequena parte de uma enorme lista de grandes projetos que estão na ponta da língua do presidente da Marsh: o PAC - Plano de Aceleração do Crescimento, o início das obras do pré-sal, a construção de estádios, além de toda a infraestrutura para a Copa de 2014. Isso sem contar com as reformas de aeroportos, usinas de etanol e energia. "O Brasil tem oportunidades maiores de crescimento do que a própria China no curto prazo", avalia Menezes. A empolgação tem um bom motivo. Todas essas obras terão prêmios bilionários. E a Marsh quer ser a principal corretora nessa busca pelas resseguradoras.
 |
Mas a missão não será fácil. Em 2008, o resseguro movimentou R$ 3,5 bilhões e o IRB ficou com praticamente todo o risco. Era ele quem se virava para encontrar os melhores preços para cada projeto. Com a abertura do mercado, nos seis primeiros meses deste ano 20% do total de R$ 1,6 bilhão de prêmios emitidos foi parar nas mãos das novas resseguradoras. "No sistema antigo, pagava-se caro, mas ninguém ficava sem o seguro. Após a abertura, as resseguradoras não são obrigadas a suportar um risco ruim", diz Menezes. A seleção agora é maior. E os preços vão se ajustar no nível de risco de cada seguradora. "Mais do que nunca, é preciso ter uma boa estratégia. As resseguradoras não vão emitir apólices de R$ 1,5 bilhão sem se preocupar com o risco", afirma o presidente da Marsh.
O mercado ainda está se ajustando a essa nova realidade. A forma da Marsh se preparar foi mexer nas peças dentro de casa. A corretora reforçou seu time com a contratação de três novos executivos. Eles trazem a experiência de quem já vestiu a camisa das seguradoras. Eduardo Almeida veio da SulAmérica; Renato Cassinelli, do Unibanco AIG; e Antonio Gonzalez, da Bradesco Seguros. "Ocupar o espaço aberto pelo IRB nos grandes riscos é muito importante e precisamos trabalhar com a cabeça das seguradoras", diz Menezes. A Marsh quer ter especialistas que conheçam com profundidade cada um dos setores ligados aos grandes riscos. Por isso, outros três executivos fizeram, recentemente, um treinamento em Londres. Thomaz Menezes quer ter a pontualidade britânica para não se atrasar nesse mercado bilionário.
|