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Lucro até debaixo d'água
A Triton explora madeira de florestas alagadas por usinas hidrelétricas - um negócio com ganhos ambientais e financeiros. Agora, está de olho no Brasil

Rosenildo Gomes Ferreira

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O "sawfish" em ação: o robô da Triton Logging é capaz de cortar até 100 árvores por dia

À primeira vista, os interlocutores se assustam quando descobrem que o principal negócio do empresário e ecologista canadense Cristopher Godsall, 40 anos, é o corte de árvores. Afinal, essa atividade é apontada como uma das principais vilãs do aquecimento global. Só que as florestas na mira de sua Triton Logging são aquelas que estão submersas no leito dos reservatórios de hidrelétricas. Um filão composto por cerca de 300 milhões de árvores espalhadas por 45 mil pontos do planeta e cujo ganho potencial é estimado em US$ 50 bilhões. Números, sem dúvida, capazes de aguçar o apetite do empresário e também do ecologista. "Cada árvore coletada nesse ecossistema pode representar a preservação de outra plantada em terra", disse Godsall à DINHEIRO. Com esse mote é que o empresário pretende operar aqui no Brasil e nos demais mercados emergentes da América do Sul e da África. O mapeamento do potencial local está sendo coordenado pelos três funcionários do escritório aberto no início do ano, no Rio de Janeiro. Alexandre Lima, presidente da Triton Logging do Brasil, espera assinar os primeiros acordos com os gestores de hidrelétricas até o final do ano.

Apesar de não dispor de estudos conclusivos, Godsall acredita que, apenas no Brasil, exista um tesouro composto por algo entre 20 milhões e 40 milhões de árvores submersas. "Do ponto de vista ambiental, faz todo sentido explorar essa madeira", avalia Philip Fearnside, cientista do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpe). "Principalmente na Floresta Amazônica", completa ele. Isso porque a região possui alguns dos maiores lagos artificiais do mundo, criados a partir da implantação das hidrelétricas de Balbina (AM) e Tucuruí (Pará), por exemplo. A construção de Jirau e Santo Antônio, ambas em Rondônia, deverá aumentar o acervo à disposição dos canadenses. Hoje, o corte dessa madeira é feito de forma artesanal e não gera nenhum dividendo socioeconômicoambiental. Os equipamentos são rudimentares e se limitam a motosserras hidráulicas. Com o sistema desenvolvido pela Triton Logging é possível cumprir três objetivos: suprir a indústria moveleira, evitar o agravamento da devastação ambiental e ampliar a exploração econômica sustentável desses lagos por meio da pesca e da prática de esportes. Além disso, a coleta das árvores reduz a emissão de gases tóxicos que deterioram a qualidade da água.

Mais que apenas o trabalho de poda submarina, Godsall criou um modelo de negócio baseado em uma sólida plataforma tecnológica que consumiu US$ 25 milhões. A principal peça é o submarino-robô batizado de Sawfish (peixe-serra, em português). Operado da superfície, ele possui duas "mandíbulas" com poderosas serras capazes de cortar até 100 árvores por dia. Trata-se do único equipamento do gênero no mundo e que já foi testado com sucesso no Canadá e na Malásia.

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