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Inventores
Os mestres da inovação
Eles têm talento e criatividade. Mas enfrentam a burocracia e a falta de dinheiro - saiba como pode ser duro o caminho dos inventores brasileiros rumo ao sucesso

Roberta Namour

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JULIO VILELA/ AG. ISTOE

ATÉ HOJE, SANTOS DUMONT é o símbolo dos inventores no Brasil. Afinal, ele foi o primeiro no mundo a fazer uma engenhoca voar sem o auxílio de catapultas. O feito do famoso 14 Bis, “o mais pesado do que o ar”, projetou a criatividade do povo brasileiro aos quatro cantos do mundo. Dumont representa o que há de melhor e de pior nos inventores brasileiros. De melhor, a genialidade. E, de pior, um certo descompromisso com o potencial comercial de suas invenções. Dumont nunca chegou a patentear seus projetos. Desejava que fossem de livre utilização por toda a humanidade. “Passados mais de 120 anos, parece que continuamos a sofrer da síndrome de santos Dumont, um “altruísmo” exagerado, quase patológico, que faz com que os brasileiros não se interessem pela proteção de sua criação”, afirma Clóvis Silveira, presidente da Associação Paulista de Propriedade Intelectual (APPI). Apesar disso, existe uma legião de inventores brasileiros que conseguiram driblar essas dificuldades e transformaram invenções em grandes negócios. Conquistaram o respeito de multinacionais e mudaram o rumo de suas vidas. Mas raramente receberam apoio de entidades voltadas para pesquisa e desenvolvimento. Por exemplo: no Brasil, existem atualmente mais de 400 incubadoras de empresas, segundo dados do Sebrae. E a quantidade de beneficiados ultrapassa a marca de seis mil empresas, um número vistoso. No entanto, o incentivo exclui boa parte dos inventores brasileiros. “As incubadoras trabalham com projetos pequenos e não atendem quem já tem uma empresa ou uma grande iniciativa”, afirma o inventor Francisco rodrigues Lira, que, juntamente com Ildebrando Santos, desenvolveu uma tinta antipichação, material com propriedades autolimpantes e aderência fraca de poeira. Para tirar o projeto do papel eles buscaram um empréstimo bancário, opção que, aconselha Lira, só vale em último caso. O projeto consumiu R$ 500 mil, sendo que R$300 mil foram provenientes desse financiamento. Durante dez anos, a Impercol, empresa de Lira, atuou sozinha. “Quase quebramos porque não tínhamos dinheiro para aumentar nossa produção”, conta. A empresa fornece tinta para as prefeituras de Curitiba, Porto Alegre e são José dos Campos. Além disso, a CPTM, responsável pela operação dos sistemas de trens urbanos em são Paulo, usa o produto. A Impercol também exporta para a Itália. Mas, até hoje, a receita gerada não cobriu o investimento. A ideia só começou a atrair a atenção de empresários quando novos contratos internacionais surgiram. A empresa foi recentemente incorporada pelo Grupo Roma, de Minas Gerais. A expectativa é de que a capacidade de produção da tinta salte de dez mil para 100 mil galões por mês.

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