Executivos sob medida Os programas de trainees mudaram. Agora, eles são desenhados para selecionar talentos que atendam às necessidades específicas de cada empresa
Adriana Mattos
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Quando foi informado de que havia sido escolhido como trainee da AmBev, Daniel Cordeiro, 24 anos, se envolveu numa situação hilária. A funcionária que lhe deu a notícia pediu que ele fizesse algo extrovertido. Cordeiro saiu do escritório em que trabalhava, pegou o elevador e, na calçada do prédio, entre desconhecidos, gritou: “Passei!” Um de seus amigos, ao receber telefonema semelhante, soltou um urro dentro do avião em que estava, e que se preparava para decolar. Esse tipo de pedido poderia ser encarado como uma excentricidade do processo de seleção de trainees. É mais do que isso, já que a AmBev, maior cervejaria do mundo, faz questão de que os funcionários cultuem a informalidade, um dos pilares de sua cultura empresarial. Reza a lenda que, num almoço com diretores da empresa, um dos trainees pediu Coca-Cola em vez de Pepsi, distribuída pela empresa. Enterrou a sua vaga ali. Numa empresa que incentiva a paixão pelo produto, a atitude do jovem foi uma punhalada nas costas. Foi para evitar esses riscos que as grandes companhias reestruturaram profundamente seus programas de trainees nos últimos anos. Antes, eles eram padronizados e seguiam um modelo comum a qualquer empresa, fosse uma mineradora, fosse um fabricante de doces. Hoje, têm sido desenhados sob medida para as necessidades estratégicas de cada companhia. O jovem recém-formado com ambições de trabalhar na Volkswagen, por exemplo, precisa respeitar a hierarquia e ser inovador. Já para disputar uma das vagas da Sadia é obrigatório apresentar habilidade em negociações e capacidade de liderança.
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