A vida com o IPI A política anticíclica está chegando ao fim. E as empresas já se preparam para não aumentar seus preços quando as desonerações acabarem
Hugo Cilo

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Promoção com ipi reduzido: redução do imposto, que garantiu boas vendas para o setor automobilístico, acaba no fim de outubro
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Daqui a dois meses, a economia brasileira despertará de um sonho, o da desoneração tributária. Mesmo assim, as empresas já se preparam para a volta à realidade.
Afinal, quando outubro terminar, o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) retornará para veículos, materiais de construção, eletrodomésticos e até para pães e bolos, assim como o PIS e o Cofins voltarão ao segmento de motocicletas. Será o fim do estímulo fiscal lançado pelo governo federal para enfrentar a crise e impulsionar o consumo - iniciativa que custou mais de R$ 3,3 bilhões aos cofres públicos, mas garantiu às atividades beneficiadas a manutenção dos empregos, a continuidade dos investimentos e a estabilidade da produção.
O setor automotivo irá incorporar a alíquota do IPI em doses homeopáticas, gradualmente até dezembro. Já os fabricantes de fogões, geladeiras, máquinas de lavar e tanquinhos, os de motocicletas e o segmento de pães e trigo receberão em dose única.
Mas ninguém será pego de surpresa. Avisadas pelo governo de que a festa da desoneração tem data para acabar, as empresas se preparam desde já para evitar o impacto nas vendas. É o caso da Ford. A companhia viu suas vendas crescerem 12,3% de janeiro a julho deste ano no mercado brasileiro, em comparação a 2008, que já havia sido o melhor período da história da empresa no País.
O resultado ficou muito acima das vendas da indústria, que subiram 2,4% neste mesmo intervalo. Por isso, a montadora não quer perder o embalo. O presidente da Ford do Brasil e Mercosul, Marcos de Oliveira, revelou à DINHEIRO que há dentro dos muros das fábricas de São Bernardo (SP) e Camaçari (BA) um forte processo de redução de custos de produção. Tudo para oferecer produtos mais baratos, mesmo após a volta do IPI. "Estamos negociando com fornecedores, reduzindo custos com materiais e otimizando processos de engenharia", detalhou o executivo ao falar sobre a vida pós-desoneração.
Graças a esse esforço, a picape Ranger e o compacto Fiesta já começam a chegar às concessionárias, com modelo 2010, entre 3% e 4% mais baratos que seus antecessores, versão 2009. "Os preços continuarão atrativos", garantiu o presidente da Ford. O empenho da Ford em reduzir ao máximo as gorduras da linha de produção reflete um movimento de toda a cadeia automotiva.
O presidente da Anfavea, associação que representa as montadoras, Jackson Schneider, disse à DINHEIRO que o repasse do IPI aos preços será inevitável, mas reconhece que promoções de fim de ano, estoques elevados e uma combinação de fatores positivos para financiamentos amortecerão o retorno do imposto. "A volta será gradual e o impacto diluído. Todo o setor está preparado para a volta do IPI e otimista em relação às projeções de vendas com as ações de fim de ano", disse Schneider.
O otimismo também está presente no setor de eletrodomésticos. Para o diretor de relações institucionais da Whirlpool (dona das marcas Brastemp e Consul), Armando Ennes do Valle, o impacto do IPI nos negócios, se houver, será minimizado pela conjuntura econômica. Isso porque o cenário da economia brasileira quando o imposto federal retornar será de maior confiança, menos juros e prazos maiores para financiamento - situação bem diferente daquela de pânico, sumiço de crédito e suspensão de encomendas de quando o imposto saiu de cena.
"Antes do IPI, nossas vendas estavam oscilantes. A desoneração inverteu tudo. No mês de julho em relação a junho houve um crescimento de 20%", destacou o executivo. "Mas, superada a fase mais aguda da crise, estaremos num ambiente mais favorável ao consumo", completou. Esse ambiente, ao que tudo indica, fará do retorno do IPI uma experiência sem traumas para o setor produtivo. Os empresários beneficiados pelos incentivos fiscais, embora quisessem ter mais tempo de desonerações, estão preparados para a volta dos impostos federais. Para grande parte do empresariado, foi bom enquanto durou.
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