O legado dos Kennedy Por Denize Bacoccina

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Os irmãos Robert, Ted e John respondem por grande parte dos direitos civis existentes nos EUA - e em boa parte do mundo |
Ted Kennedy morreu sem ver criado nos Estados Unidos um sistema de saúde pública universal, causa à qual o senador democrata de Massachusetts dedicou toda a vida. E justo no momento em que encontrou um presidente que compartilhava do seu entusiasmo em mudar o status dos Estados Unidos como único país desenvolvido a não prover atendimento público a todos os seus cidadãos. Sem Ted Kennedy, o presidente Barack Obama terá mais dificuldades em conseguir os consensos bipartidários que fizeram a carreira do irmão mais novo de John Fitzgerald Kennedy, presidente americano assassinado em 1963, e de Robert Kennedy, morto cinco anos depois em plena campanha presidencial. A família Kennedy é sempre lembrada pela beleza, riqueza, sofisticação e ainda pelo entusiasmo sexual dos jovens mortos tragicamente. Ao contrário dos irmãos - dos nove filhos de Joseph Patrick Kennedy e Rose Fitzgerald Kennedy, três dos quatro homens morreram tragicamente - Ted Kennedy conseguiu morrer de doença, aos 77 anos, depois de uma longa e bem-sucedida carreira política. Carreira que começou com a eleição do irmão, John, para a Presidência, deixando ao irmão mais novo a vaga no Senado. E que foi repleta de conquistas que melhoraram, de forma prática, a vida dos americanos. "Não foi apenas o melhor senador dos nossos tempos, mas um dos melhores americanos a servir nossa democracia", disse o presidente Barack Obama, que se beneficiou pessoalmente da generosidade de Kennedy quando entrou no Senado, em 2005. Ted não só ajudou o novo colega como fez um entusiasmado discurso de apoio quando ele se lançou pré-candidato dos democratas à Presidência.
Nem é preciso lembrar o momento atual do Senado brasileiro para lamentar a ausência de um político da sua estatura na política brasileira. A habilidade de negociador permitiu acordos com os republicanos e garantiu a aprovação de milhares de leis de interesse nacional. Somente de sua autoria, Ted Kennedy conseguiu transformar em lei cerca de 500 projetos em 46 anos no Senado. Muitos outros não chegaram a ser votados, mas ele tentou. É o caso do projeto de legalização de imigrantes, que ele apresentou junto com o senador John McCain logo no início do segundo mandato de George W. Bush. Acabou não saindo do papel, mas foi o melhor projeto sobre o assunto que já tramitou no Congresso americano.
Antes de lidar com imigração, Kennedy colocou seu dedo em todos os temas importantes da política americana nas últimas décadas. Nos anos 60, ainda no início da carreira, lutou pelas leis de direitos civis. Nas décadas seguintes, apresentou, defendeu e costurou acordos para garantir leis melhorando o acesso a educação e saúde para os mais pobres e de proteção a trabalhadores. No início do governo Bush, ajudou o presidente republicano a aprovar uma lei garantindo escola para todas as crianças. "Suas ideias e ideais estão marcados em milhares de leis e refletidos em milhões de vidas - em idosos que conheceram uma nova dignidade, famílias que conheceram novas oportunidades, crianças que conheceram as promessas da educação e em todos os que podem perseguir seus sonhos numa América que é mais igualitária e justa - inclusive eu mesmo", afirmou Obama. Embora tenha atuado mais no âmbito doméstico do que internacional, também participou dos esforços de paz entre católicos e protestantes na Irlanda do Norte e lutou pelo fim do apartheid na África do Sul, além de criticar o apoio americano às ditaduras na América Latina. Colegas choraram no plenário do Senado quando Kennedy informou que tinha câncer no cérebro, no ano passado. Mas fez questão de comparecer à posse do novo presidente, em janeiro - e assustou todo mundo quando desmaiou no almoço de posse. Sabendo da gravidade do seu estado de saúde, Kennedy pediu ao governador de Massachusetts que modificasse o procedimento para escolha de um novo senador - nos Estados Unidos os suplentes são eleitos. Disse que o Estado não podia ficar sem representante no Senado por muito tempo.
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