O trainee virou chefe As lições dos executivos que começaram a carreira nos programas de treinamento mais concorridos do Brasil e que hoje fazem sucesso como líderes de grandes empresas
Por Amauri Segalla, Flávia Goiriz
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Nas próximas semanas, milhares de jovens brasileiros vão enfrentar uma maratona de testes que, se for superada, poderá encurtar em alguns anos a trajetória rumo ao topo da carreira. Em setembro, começam os exames de seleção de alguns dos programas de trainees mais concorridos do Brasil. É um desafio apenas para gente qualificada, com sólida formação universitária e carisma capaz de seduzir os entrevistadores que se encarregam de fazer a escolha final. Alguns deles, aliás, são os próprios presidentes das empresas. É difícil, para não dizer quase impossível, superar as provas escritas, as dinâmicas de grupo em série e o olhar exigente de quem vai contratar. Mesmo assim, muitos se candidatam - e a larga maioria fica pelo caminho. No ano passado, a AmBev, uma das empresas mais desejadas pelos recém-formados, recebeu 31 mil inscritos e elegeu apenas 19 para integrar seu quadro de funcionários. Isso dá a média de 1.631 candidatos por vaga. Na Unilever, são 1.166 pessoas para cada posição de trainee oferecida. É uma enormidade. Medicina na USP, o curso universitário mais procurado do Brasil, tem a relação de 34 candidatos por vaga.
Após o desgastante processo, sobram os talentos que vão comandar as empresas no futuro. É por isso que elas investem tanto nesses programas. "A seleção de trainee é às vezes até mais cara do que a contratação de um presidente", diz o headhunter Simon Franco. O trainee desfruta de vantagens que nem sempre são oferecidas a outros funcionários. Os salários em geral são mais altos do que a média que o mercado paga para quem está em início de carreira. Os trainees têm a oportunidade de conhecer todas as áreas da corporação, de participar do desenvolvimento de projetos, de se aproximar dos executivos mais importantes. Em suma, fazem uma imersão completa que os ajudará no crescimento profissional e que, nos anos adiante, pesará a seu favor na disputa por uma promoção. "O profissional que fez um curso de trainee tende a ser mais valorizado", diz Renata Lindquist, sócia da Mariaca, empresa especializada em gestão de capital humano. "É como se ele tivesse um carimbo de excelência." Nas páginas a seguir, as histórias de ex-trainees que hoje ocupam alguns dos postos mais cobiçados do mundo corporativo brasileiro.
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A maior vantagem de um trainee é não ter uma responsabilidade específica. O jovem fica solto dentro da empresa e tem a seu favor a liberdade de perguntar, circular, vasculhar o funcionamento da companhia. Pelo menos foi isso o que fez o atual presidente da Siemens no Brasil, Adilson Primo, no período em que atuou como trainee na sede alemã da corporação. "É uma espécie de reconhecimento do terreno", diz. Dessa experiência, o jovem profissional deve extrair o máximo e reservar toda a energia possível para aprender a se movimentar não apenas nas suas áreas de interesse, mas em todos os departamentos da companhia. "Você deve aproveitar esse período para conhecer pessoas, estudar projetos que deram certo, ajudar nas mais diversas atividades." Foi isso o que Primo fez e o resultado aparece em seu currículo. Ele escalou os diversos postos profissionais numa velocidade impressionante, que culminou no cargo de presidente da Siemens do Brasil, que ocupa desde 2001. Nos últimos 33 anos de carteira assinada na mesma empresa, fez incontáveis viagens e centenas de cursos de aprimoramento, o que também ajudou a encurtar sua caminhada rumo ao topo. Segundo o executivo, estudar o tempo todo e incansavelmente é o que faz toda a diferença. Nos últimos anos, Primo tem se dedicado a identificar talentos, os futuros gestores que assumirão o controle da companhia. "O grande diferencial do século 21 são as pessoas", diz. "E elas são disputadas pelo conhecimento que possuem". Simples assim.
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