Palocci uma opção na prateleira Inocentado pelo STF, o ex-ministro da Fazenda está livre para disputar as eleições presidenciais. E pode ser o preferido dos empresários
Leonardo Attuch e Luciana de Oliveira
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Palocci: "Nunca existiu uma era Palocci na economia, mas sim uma era Lula"
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Sessão do julgamento, na quinta-feira 27: Palocci foi inocentado, por cinco votos a quatro, no caso que julgou a quebra de sigilo do caseiro Francenildo Costa - este episódio provocou sua queda em 2006
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Até a semana passada, o ex-ministro da Fazenda Antônio Palocci fazia parte um index prohibitorum político. Estava banido de qualquer discussão séria sobre as eleições de 2010.
Depois da sessão realizada no Supremo Tribunal Federal na quinta-feira 27, em que foi absolvido por cinco votos a quatro da acusação de ser o mandante da quebra de sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa, ele renasceu das cinzas, tal qual a fênix da mitologia grega. É uma opção na prateleira do PT não só para disputar o governo de São Paulo como também para concorrer à Presidência da República.
E nos meios econômicos o tapete vermelho já foi estendido. Às vésperas do julgamento, o banco americano J.P. Morgan distribuiu um relatório a seus clientes, assinado pelos analistas Fábio Hashizume e Emy Shayo, levantando a hipótese da candidatura Palocci, em substituição à ministra Dilma Rousseff. "O nome dele seria saudado com grande entusiasmo pelos mercados", dizia o relatório.
No início da semana, o exministro foi também uma das estrelas de um encontro do Instituto Brasileiro de Siderurgia, em que desfilou ao lado de nomes como Jorge Gerdau, e foi aplaudido de pé pelos empresários
Nas eleições presidenciais de 2002, Antônio Palocci foi um dos principais responsáveis pela vitória do presidente Lula, ao idealizar a Carta ao Povo Brasileiro, que sinalizou aos eleitores o compromisso do PT com a estabilidade econômica. Um ano depois, quando ele assumiu o Ministério da Fazenda, com a produção estagnada e a inflação rodando a 17% ao ano, suas primeiras medidas, como a elevação do superávit fiscal, foram duras, mas trouxeram a economia de volta aos trilhos.
Em 2006, ele caiu justamente no momento em que os frutos dessa política ficavam mais claros. Foi acusado pelo caseiro Francenildo Costa de frequentar uma "mansão de lobby" em Brasília e depois de ordenar a quebra do sigilo bancário do mesmo. O escândalo se deu no aquecimento da disputa presidencial daquele ano, quando muitos tinham a percepção de que Palocci era a âncora do governo Lula - e que, sem ele, o PT não resistiria. "Nunca houve uma era Palocci na economia, houve sempre uma era Lula", disse o exministro à DINHEIRO numa conversa recente.
Antônio Palocci tem potencial para mudar o jogo da sucessão presidencial porque consegue ser bem-visto por todos os segmentos do empresariado. Um banqueiro, ouvido pela DINHEIRO, o define como o mais businessfriendly dos políticos brasileiros - seria aquele mais comprometido com a liberdade empresarial.
Na Federação das Indústrias de São Paulo, ele é muito elogiado pelo presidente Paulo Skaf. Especialmente por ser um petista que defende a redução do tamanho do Estado. E ele é ainda percebido como uma pessoa que manteria o atual tripé da política econômica, fundado em metas de inflação, câmbio livre e equilíbrio fiscal.
"Ele seria a garantia de, no mínimo, mais quatro anos de forte crescimento econômico", avalia Carlos Alberto de Oliveira Andrade, presidente do grupo Caoa/Hyundai. No meio político, Palocci também quebraria a lógica do atual quadro sucessório. Os dois principais candidatos, José Serra e Dilma Rousseff, foram escolhidos para um cenário de confronto ou plebiscito entre PSDB e PT. Palocci representaria o diálogo, a soma, a convergência.
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