A guerra dos seguros A conquista da classe média emergente passou pelo crédito e agora chega aos seguros, eleitos como a nova grande fonte de receitas dos bancos de varejo na disputa pela liderança
MILTON GAMEZ E MÁRCIO KROEHN

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| O negócio: Roberto Setubal (à esq.), Jayme Garfinkel e Pedro Moreira Salles selam parceria estratégica na Porto Seguro |
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FEIRÃO DE VEÍCULOS:
compradores de carros também fazem seguros e estimulam a concorrência entre os bancos |
Dias atrás, o Banco do Brasil fincou novamente sua bandeira no topo do ranking de ativos do setor financeiro, dominado durante nove meses pelo concorrente Itaú Unibanco. Mas a vitória, conquistada nas frentes de batalha do crédito e da compra de bancos estaduais, não encerrou a guerra cordial pela liderança do setor. As forças dos grandes banqueiros foram deslocadas para novas trincheiras, desta vez ao redor do mercado de seguros. Sitiada pelo Bradesco ao longo dos últimos meses, a Porto Seguro, líder do ramo de veículos, resistiu à rendição e surpreendeu a todos ao firmar uma aliança estratégica com o Itaú Unibanco na semana passada. O Banco do Brasil, enquanto isso, tem recebido emissários das seguradoras Mapfre e Principal para renegociar suas atuais parcerias com elas e, assim, avançar no terreno dos concorrentes privados. O Bradesco, ainda na posição de maior grupo segurador do País, continua em busca de reforços para defender seu território, ao passo que o grupo ING, sócio da SulAmérica, estaria se preparando para bater em retirada. Isso sem contar as disputas pelos resseguros, que têm atraído muitas companhias estrangeiras ao País. O que está por trás de tantas movimentações? Dinheiro, claro.
O mercado de seguros tem crescido a passos largos no Brasil. Seguindo a trilha da inclusão bancária da nova classe média, quase triplicou de tamanho desde 2001, passando de 1,3% para cerca de 3,5% do PIB. O volume anual de prêmios, em torno de R$ 70 bilhões, e as reservas técnicas das seguradoras, de R$ 65 bilhões, são apenas a ponta de um iceberg de prestação de serviços pelos bancos de varejo. Como grandes supermercados financeiros, eles têm se esforçado ao máximo para preencher suas prateleiras com produtos atrativos e rentáveis para conquistar os milhões de brasileiros que emergiram para o mercado de consumo. Mais de 20 milhões de pessoas subiram na pirâmide social e são cobiçadas pelos conglomerados financeiros. "Nada disso estaria acontecendo se o mercado de seguros não estivesse crescendo. A estabilidade econômica e a melhoria na redistribuição de renda estão trazendo novos clientes para o setor", resume Arthur Farme, vice-presidente de relações com investidores da SulAmérica Seguros e Previdência.
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