Casamento com rivais A nova era do Yahoo! chega ao Brasil: nela há parcerias até com concorrentes e uma espécie de Twitter turbinado criado por aqui
José Sergio Osse
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| Ribenboim (à esq.) e Izay em fotomontagem: executivos vão comandar a versão mais aberta do Yahoo! na América Latina e no Brasil. Ao abrir seu portal para concorrentes, a empresa quer elevar seu próprio tráfego - e sua receita |
Há 65 milhões de anos, um asteroide colidiu com a Terra e eliminou os dinossauros. Os enormes animais não foram capazes de se ajustar às novas condições do clima e, em pouco tempo, desapareceram. Hoje, a história pode estar se repetindo no universo corporativo. O Yahoo!, um dos pioneiros da era da internet, está a perigo. Anestesiada pelos gigantescos ganhos com seu negócio de venda de anúncios, a companhia perdeu o ímpeto inovador e, de quebra, mercado e prestígio para o Google. Agora, o Yahoo! se reinventa e essa nova fase está prestes a desembarcar no Brasil. Em uma das mais radicais mudanças em seu modelo de negócios, o portal cederá espaço em suas páginas para outras empresas do mundo digital, inclusive concorrentes, importando a estratégia lançada recentemente no Exterior. A intenção é replicar a parceria recentemente anunciada com a Microsoft - mesmo com arquirrivais, como o Google. Basta, para isso, que essa outra empresa ofereça uma tecnologia melhor do que a utilizada pelo próprio Yahoo!. Para a Microsoft, por exemplo, foi vendida toda a tecnologia de busca. Esse mecanismo é fundamental para a distribuição de links patrocinados, uma das atividades mais lucrativas na internet. "Parcerias assim liberam recursos dentro do Yahoo! que podem ser direcionados para o que fazemos de melhor", explica Guilherme Ribenboim, presidente do Yahoo! para a América Latina. Para o professor de sistemas de informação da Faculdade de Economia e Administração da USP, Antonio Vidal, o Yahoo! não tinha outra saída senão adotar medidas tão radicais para tentar sobreviver. "A questão é de vida ou morte para o Yahoo!. Se essa reformulação não der certo, a empresa pode desaparecer", diz Vidal. "Mas as mudanças, por melhores e mais bem-sucedidas que sejam, podem ter vindo tarde demais."
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