Rolf-Dieter Acker, presidente da Basf
"Dólar caro é um doce veneno" Por Hugo Cilo
O alemão Rolf-Dieter Acker, presidente na América do Sul da maior empresa química do mundo, a Basf, tem uma visão incomum da economia brasileira. Como executivo de uma companhia que atua em diversos segmentos, da construção civil ao agronegócio, e tem um faturamento regional de US$ 2,1 bilhões, ele comemora a valorização do real, critica o "imediatismo" dos exportadores e defende no meio corporativo uma postura mais de longo prazo. "A valorização da nossa moeda indica que a economia vai bem. Torcer pelo dólar é um erro. Dólar caro é um doce veneno", afirma o executivo. Essa postura polêmica se repete há quase uma década. Não por acaso, Acker é tido no meio corporativo como um guru em economia sul-americana. Leia, a seguir, sua entrevista à DINHEIRO.
DINHEIRO - As grandes economias mundiais irão encolher neste ano, enquanto é esperada uma estagnação no Brasil. Esse contraste já se reflete nos balanços financeiroos da Basf?
ROLF-DIETER ACKER - Em todo lugar, a crise ainda existe. Se compararmos o ano passado com este, houve uma retração na demanda mundial. Mas alguns países estão melhores que outros. Acredito que o Brasil terá em 2009 uma estagnação positiva, dado o cenário de queda em boa parte do mundo. Aqui os números da Basf indicam crescimento. Metade do faturamento da companhia no continente vem do setor de tintas e do agronegócio. Ambos estão bem e apresentam potencial de crescimento. Em 2008, o setor agro cresceu 27%, com vendas de 769 milhões de euros, e o de tintas, 13%.
DINHEIRO - De que forma a crise afetou a Basf?
ACKER - Evidentemente, sempre há um impacto. Como estamos em diversos ramos da indústria, sentimos também quando a crise chegou. Se a economia desacelera, a indústria produz menos e, assim, caem as encomendas. Mas já reagiu e vemos um crescimento, mesmo que o Brasil não cresça muito. Alguns dizem que a recuperação mundial virá em formato de V. Outros em U ou em W. É difícil saber como será.
DINHEIRO - Como a Basf vê o Brasil dentro dos Brics?
ACKER - A prioridade é a China em razão do gigantesco potencial do mercado interno e que mantém elevadas suas taxas de crescimento. Depois vem o Brasil, que terá em dois ou três anos a maior produção agrícola do planeta, à frente dos Estados Unidos, e uma grande população entrando para o mercado de consumo. A Rússia e a Índia dependem muito de iniciativas externas. O Brasil, atualmente, depende só de si.
DINHEIRO - As taxas de crescimento não preocupam?
ACKER - Os números absolutos não importam. Importa mais que até a estagnação, se houver, será positiva. Todos os mercados podem amadurecer suas economias, inclusive o Brasil. A crise, para nós, é um bom teste.
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