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Ele adora lixo
Como o empresário Luciano Prozillo criou uma máquina que transforma resíduos em energia elétrica e até gasolina e diesel

ROSENILDO GOMES FERREIRA

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"O aterro convencional é uma opção inviável do ponto de vista ambiental e econômico"
Luciano Prozillo, dono da Micro Ambiental

Em 2001, Luciano Prozillo, engenheiro e especialista em finanças, desembarcou em São Paulo após seis anos na Europa e na Ásia. Nesse período, ele atuou na estruturação de projetos de financiamento de obras de grande porte: usinas siderúrgicas, hidrelétricas e gasodutos. Voltou ao Brasil e fundou a Micro Ambiental para apostar em geração de energias alternativas e na venda de créditos de carbono. Setores emergentes que, se bem trabalhados, poderiam render bons dividendos. Para isso Prozillo contava com um capital de US$ 2,5 milhões e uma fornida agenda de contatos. Ela lhe rendeu dividendos, como a assinatura de um contrato com a russa Gazprom para a venda de dois milhões de toneladas em crédito de carbono. E também alguns dissabores. No final de 2007, o empreendedor foi arrolado no escândalo de pagamento de propina envolvendo o banco alemão KfW, executivos da Geração Térmica de Energia Elétrica e do Grupo Winimport, no qual tinha uma fatia minoritária. Ele alega que não teve qualquer participação no caso, tanto que não sofreu nenhuma sanção legal. No início do mês passado, o empresário deu o passo mais importante em sua trajetória no setor ambiental ao assinar o contrato para implantação de duas centrais de tratamento de lixo em Matozinhos (MG). A novidade é que a usina opera com uma tecnologia até então inexistente no Brasil, no qual os resíduos são "queimados" em um reator de micro-ondas. Hoje, o que vigora é o sistema de empilhamento do lixo sobre camadas de lonas. "O aterro convencional é uma opção que já se mostrou inviável para o País. Tanto do ponto de vista ambiental quanto econômico", argumenta o empresário.

O equipamento foi desenvolvido em parceria com pesquisadores das universidades federais de Mato Grosso e Santa Catarina. Em quatro anos foi investido R$ 1,5 milhão.
Segundo Prozillo, o modelo de negócio criado por ele permite transformar o lixo em dinheiro. Literalmente. Isso se dá com a venda de materiais recicláveis, a comercialização de créditos de carbono e a produção de energia elétrica a partir da queima controlada dos resíduos (ver infográfico). Caso o cliente opte em adquirir uma unidade de craqueamento de plástico, também comercializado pela Micro Ambiental, ele tem a possibilidade de converter esse material em gasolina e óleo diesel. Com isso o empresário espera multiplicar por dez, já no primeiro ano, o faturamento atual de R$ 30 milhões. Para Prozillo, outro grande mérito do negócio é a simplicidade. As máquinas, fabricadas por empresas terceirizadas, têm um elevado grau de automação, e para operar uma usina-padrão, que custa R$ 10 milhões, são necessárias apenas 15 pessoas, divididas em três turnos. "O investimento se paga em até 24 meses", diz ele. É com esse discurso que ele espera seduzir prefeitos de pequenos e médios municípios, que hoje depositam o lixo em locais irregulares ou pagam para levar o material para outras cidades.

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