Dinheiro em ação por Milton Gamez
PAPÉIS AVULSOS |
O piloto do projeto piloto
Ricardo Villela Marino, diretorexecutivo do Itaú Unibanco, costuma dizer que “a vida é compreendida olhando-se para trás, mas deve ser vivida olhando-se para a frente.” O Itaú Unibanco, que nasceu para se tornar um competidor global, está hoje mais concentrado na fusão das partes do que na compra de bancos no Exterior, mas está de olho no futuro. E que futuro é esse? Quem quiser saber deve olhar a operação do banco na América Latina, comandada por Marino. Na reunião com os analistas da Apimec, na quarta-feira 19, os comandantes do Itaú Unibanco trataram a presença no Chile, na Argentina, no Paraguai e no Uruguai como um “embrião do banco global”. São 206 agências, 4.851 funcionários e R$ 18,9 bilhões em ativos. O lucro líquido, no primeiro semestre, foi de R$ 184 milhões. A maior operação é a do Chile, que tem recebido mais investimentos e dado melhores resultados.
"O Mercosul é o embrião do banco global"
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Ricardo Villela Marino,
diretor do Itaú Unibanco |
Ao contrário das agências nos Estados Unidos, na Europa e na Ásia, que existem para atender às necessidades das companhias brasileiras lá fora e atrair recursos para o Brasil, no Mercosul a prioridade são os clientes locais. “É nosso projeto piloto de uma presença mais intensa em outros países”, afirma o presidente Roberto Setubal. “É um projeto piloto com um milhão de clientes”, ressalta Pedro Moreira Salles, presidente do conselho de administração.
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| DESTAQUE NO PREGÃO |
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O choque da Eletrobrás
A Eletrobrás atrasou em uma semana a divulgação do balanço semestral e os números não vieram bons. Ao contrário, a empresa comandada por José Antônio Muniz teve um prejuízo de R$ 2 bilhões. A explicação para essa perda foi o efeito cambial. A Eletrobrás é credora de um financiamento feito para a Usina de Itaipu, que deve US$ 18 bilhões ao governo federal e à companhia. Como esse crédito é corrigido pela inflação e pela moeda americana, o resultado da companhia foi prejudicado. A soma das perdas no primeiro e no segundo trimestres é de R$ 1,9 bilhão, enquanto a Eletrobrás divulgou R$ 2,4 bilhões. Como explicar esses R$ 500 milhões de diferença? Segundo a empresa, trata-se de uma marcação a mercado de uma dívida que vence em 2023. Com o tempo, essa diferença poder ser ajustada ou se transformar em ganhos. O papel ON caiu 2,2% em sete dias, até a quinta-feira 20. |
PALAVRA DE ANALISTA
O desempenho da Eletrobrás foi bastante prejudicado pela valorização do real. “O resultado foi fraco, com custos superiores ao esperado e o resultado final prejudicado pelo câmbio”, escreveu Renato Pinto, da Fator Corretora. O caixa de R$ 12,1 bilhões possibilita o pagamento dos dividendos atrasados. “A Eletrobrás tem questões políticas e dividendos antigos como passivos”, diz José Góes, economista da WinTrade. O comportamento do papel ON da Eletrobrás deixa a desejar. Quem comprou a ação no pico de negociação em 1997, pagou R$ 29,68. Na quinta-feira 20, ele fechou a R$ 27,29. “É uma ação ruim para quem apostou no longo prazo”, diz Góes. |
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CSN
Crédito na praça
A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) obteve um megaempréstimo de R$ 2 bilhões junto à Caixa Econômica Federal, em uma operação com prazo de pagamento de 36 meses. O valor representa 2% da carteira de crédito da Caixa, que era de R$ 101 bilhões em junho. O banco presidido por Maria Fernanda Ramos Coelho já havia socorrido a Petrobras e, agora, ajuda o empresário Benjamin Steinbruch, que trava uma disputa com o BNDES e foi buscar recursos em outra fonte pública. Segundo analistas, o valor não deverá ser usado para investimento em novos projetos, e sim para renegociação de dívidas. As ações da CSN subiram 0,6% na quarta-feira 19, dia seguinte ao anúncio do empréstimo. |

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QUEM VEM LÁ |
| Diluição no
controle da GVT
Entre as máximas que circulam no mercado de ações, há aquela que diz que é preciso dobrar a atenção quando um grande investidor está se desfazendo de sua participação em uma companhia. A Global Village Telecom, Swarth Investment Holding e Swarth Management, que detêm mais de 30% das ações da GVT, empresa de telecom, decidiram realizar uma oferta secundária dos seus papéis. A intenção foi registrada pela empresa comandada por Amos Genish, na quarta-feira 19, na CVM. O prospect ainda não tinha sido liberado até o fechamento da edição, mas é certo que não haverá mudança de controle: no final da oferta, esses mesmos grupos continuarão com mais de 5% do capital da companhia. E apenas investidores qualificados poderão participar. |
FIQUE DE OLHO: Oferta secundária significa dinheiro no bolso dos vendedores. O mercado reagiu mal a esse anúncio dos controladores da GVT. O papel desabou quase 8,1% no dia seguinte ao anúncio, enquanto o Ibovespa se valorizou 1,2%. |
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